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Psicanalista defendeu a valorização da experiência humana diante das pressões por produtividade, desempenho e controle da vida.

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O Salão Vermelho da Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte, ficou lotado na manhã desta sexta-feira, dia 11 de setembro, para a palestra “Sofrimento e saúde mental hoje”, ministrada pela psicanalista, mestre e doutora em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Vera Iaconelli. Participaram membros, servidores, terceirizados, estagiários, residentes, profissionais da área da saúde e visitantes externos. A atividade integrou a programação da Semana do Ministério Público e foi promovida pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf).

Ao abordar o sofrimento psíquico na contemporaneidade, a palestrante destacou que a experiência humana é atravessada por incertezas e que a busca permanente por controle tem produzido frustrações e ansiedade. Segundo ela, a sociedade alimenta a expectativa de que seja possível planejar e prever todos os aspectos da vida, ignorando que o inesperado faz parte da condição humana. “Se não espera o inesperado, não o encontrará”, afirmou, ao citar uma formulação atribuída ao filósofo Heráclito.

Para Vera Iaconelli, a tentativa de controlar o incontrolável está na raiz de parte do sofrimento contemporâneo. De acordo com a psicanalista, a experiência humana pressupõe abertura para acontecimentos imprevistos, capazes de provocar reflexão, transformação e descobertas sobre si mesmo.

A palestrante também analisou o papel das plataformas digitais na ampliação de problemas sociais e emocionais. Ao criticar o funcionamento das redes sociais, classificadas por ela como “redes antissociais”, observou que esses ambientes potencializam questões já existentes ao estimular a comparação permanente e a exposição constante da vida privada. “Elas pegam as nossas questões anteriores e monetarizam, multiplicam e potencializam”, disse.

Outro tema abordado foi a cultura da performance e da produtividade. Segundo Vera Iaconelli, a valorização de rotinas exaustivas e de resultados permanentes contribui para o adoecimento emocional. “Nós temos que performar o tempo todo”, observou. Em seguida, alertou para os efeitos desse modelo de organização social: “A grande produtividade humana é a doença. É isso que a gente está produzindo”.

Durante a exposição, a psicanalista ressaltou ainda que a internet frequentemente produz um contraste entre a vida real e as imagens idealizadas compartilhadas nas plataformas digitais. Para ela, a distância entre “quem deveríamos ser, segundo a internet, e quem somos” constitui um importante fator de sofrimento psíquico. A especialista defendeu que a saúde mental deve ser compreendida não apenas como uma questão individual, mas também como reflexo das condições sociais e culturais da época.

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