Notícias - Segurança PúblicaSemana do MP: Uso da telemetria pelo setor privado auxilia na prevenção, no combate ao crime e em investigações do MPMG
A cooperação entre o setor privado e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para fortalecer a prevenção e o combate ao crime foi tema de palestra ministrada pela diretora Executiva Jurídica e de Relações Institucionais da Localiza, Suzana Fagundes, nesta sexta-feira, 11 de setembro, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte. O tema teve como foco principal o uso da telemetria como uma ferramenta para obter informações úteis para monitorar, estabelecer padrões, prevenir crimes e servir de base para auxiliar investigações. A palestra faz parte da programação especial da Semana do MP.
A mediação do evento ficou a cargo do coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Segurança Pública (CAO-SEP), promotor de Justiça Marcelo Schirmer Albuquerque, que, logo no início, apresentou a palestrante e tratou sobre a relevância do tema.


“Ao longo da carreira, tive algumas experiências de investigações criminais que sucederam investigações corporativas, e isso deu bons frutos para o resultado final de defesa da sociedade. É curioso que ainda estejamos presos ou condicionados à ideia de que as ações institucionais, sobretudo de defesa da segurança pública, se restrinjam a interlocuções e interações apenas entre forças de segurança, polícias e outros órgãos de Estado, quando, na verdade, já estamos em um momento em que isso foi e deve ir além. Porque a gente já viu que a capacidade operacional, técnica e investigativa de uma empresa do porte da Localiza é evidente”, afirmou o promotor de Justiça.
Durante a palestra, Suzana Fagundes explicou que a empresa passou a adotar medidas mais rígidas de segurança e monitoramento a partir da percepção do aumento de ocorrências em que os carros alugados passaram a ser utilizados em crimes. Ela explicou que a telemetria é uma ferramenta que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, tem diversas utilidades para além do mero rastreamento do veículo.
“Ela é uma tecnologia que coleta e compartilha dados com uma plataforma que os trata de forma inteligente. Não apenas para saber onde o carro está, mas, com ela, conseguimos entender como a pessoa dirige, por onde ela passou, se está parando muito para abastecer o carro e conseguimos até trancar e destrancar o veículo remotamente, além de verificar se ele precisa ou não encher o tanque. O volume de informação que temos dos carros corresponde a mais de 1,3 bilhão de quilômetros por mês, o que significa ir e voltar da Lua duas vezes e meia”, explicou a palestrante.
A partir do processamento dos dados e alertas emitidos pelo sistema de telemetria, é possível estudar o comportamento de quem utiliza carros alugados para cometer crimes e contribuir com as investigações. Ainda é possível fazer um monitoramento em tempo real a partir de solicitações de órgãos de segurança.
Ao apresentar um caso real do sequestro de uma criança na Região Metropolitana de Belo Horizonte com o uso de um carro alugado, a palestrante detalhou que, por meio da telemetria, foi possível identificar por onde o veículo passou.
“A partir de um ponto inicial, as autoridades enviaram para todas as locadoras de veículos que queriam saber se o carro, de tal cor e tal placa, passou por um ponto específico. Com base nisso, a gente verificou por onde esse carro tinha passado antes. Com isso, identificamos que outros veículos tinham seguido o mesmo trajeto e feito as mesmas paradas, no mesmo local. Isso foi um apoio à investigação e, depois, nós recebemos um feedback de que foi positivo para poder desvendar realmente o que aconteceu”, explicou a diretora da Localiza.
Para a palestrante, a tecnologia traz segurança para a empresa proprietária dos veículos e ainda colabora para as investigações criminais.“Ela tem ajudado a apresentar elementos novos que muitas vezes poderiam não ser investigados, além de trazer mais agilidade para levantar dados e auxiliar as investigações criminais”, pontuou.
Em 2025, em âmbito nacional, segundo dados da empresa, 1.164 inquéritos foram instaurados, 1.119 prisões foram efetuadas e o tempo médio de condenação é de cinco anos.
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