Notícias - ConsumidorProcon-MPMG e Anatel unem debate e teatro para orientar crianças e adolescentes a navegarem com segurança na internet





O auditório da Escola Estadual Governador Milton Campos (Estadual Central) se transformou em um espaço de descobertas, risadas e reflexão. Mais de 300 participantes, entre eles estudantes de seis a 11 anos da Escola Estadual Afonso Pena, acompanharam a apresentação da peça Vida de Influencer, encenada pela Companhia Teatral Arte e Faces.
A peça faz parte das atividades voltadas à proteção de crianças e adolescentes na internet realizadas durante os dias 21 e 22 de outubro, em Belo Horizonte. A programação, organizada em parceria entre o Procon do Ministério Público de Minas Gerais (Procon-MPMG) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), reuniu especialistas, representantes de órgãos públicos e estudantes. Com uma linguagem divertida e personagens próximos do universo infantil, o espetáculo mostrou que, por trás das telas, curtidas e seguidores, também existem riscos que merecem atenção.
Durante aproximadamente 40 minutos, a plateia acompanhou as aventuras de Flavinho, um menino que enfrenta situações de bullying, e de sua irmã Marie Jolie, uma jovem influenciadora digital perseguida por uma pessoa que invade sua privacidade na internet.
Entre situações engraçadas, conflitos e descobertas, os personagens abordaram temas como exposição de dados pessoais, perfis falsos, perseguição virtual, uso excessivo das redes sociais e a importância de pedir ajuda diante de situações de risco.
A cada cena, as crianças reagiam com entusiasmo, interagiam com os artistas e descobriam, junto com os personagens, que nem tudo o que aparece na internet é verdadeiro ou seguro.
Mais do que entreter, a apresentação convidou os pequenos espectadores a refletir sobre suas próprias escolhas no mundo digital. Afinal, compartilhar uma fotografia, conversar com desconhecidos ou acreditar em tudo o que um influenciador divulga pode trazer consequências que nem sempre são percebidas. A mensagem transmitida pelo espetáculo foi simples e direta: "Pense antes de postar! Sua segurança também é conteúdo!"
Defesa do consumidor
Antes de a história ganhar vida no palco, o promotor de Justiça e coordenador do Procon-MPMG, Luiz Roberto Franca Lima, conversou com as crianças sobre o universo dos vídeos, jogos e influenciadores digitais.
Em uma interação descontraída, chamou a atenção para a presença da publicidade nos conteúdos consumidos na internet e explicou que, mesmo sem realizar compras diretamente, as crianças também estão inseridas nas relações de consumo e precisam ter seus direitos protegidos.
Foi nesse clima de aproximação que o coordenador da Divisão de Educação para o Consumo (Divec), Roberto Apolinário Júnior, apresentou uma comparação que despertou o imaginário infantil: a atuação do Procon como uma verdadeira liga de defesa dos consumidores. "A gente não tem capa, não voa e nem tem superpoderes, mas faz parte de uma liga. O Procon é como se fosse a Liga de Defesa do Consumidor", explicou às crianças, destacando que todos, independentemente da idade, possuem direitos e podem contar com a instituição para sua proteção.
O coordenador também anunciou que os estudantes receberão uma nova oportunidade de aprendizado por meio do Procon Mirim, iniciativa que levará à escola atividades educativas sobre direitos do consumidor.
Educação digital
Para o gerente regional da Anatel em Minas Gerais, Otávio Barbosa da Silva Soares, a parceria com o Procon-MPMG contribui para ampliar o alcance das ações de conscientização, associando o acesso à tecnologia à necessidade de utilizá-la com segurança.
Segundo ele, o teatro permite apresentar situações de risco de maneira mais próxima da realidade infantil, facilitando a compreensão de crianças que já nasceram em um mundo conectado, mas nem sempre reconhecem os perigos presentes nesse ambiente.
A importância do trabalho conjunto também foi destacada por Gabriela Pinheiro, integrante do Núcleo de Tecnologia Educacional (NTE) da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais. Para ela, iniciativas que utilizam uma linguagem alegre e participativa aproximam o tema dos estudantes e demonstram a necessidade de unir esforços para enfrentar os desafios da educação digital. "A gente precisa de uma coalizão horizontal e unir forças para que cada um possa trazer a sua competência para esse desafio", afirmou, ressaltando que a construção de um ambiente digital mais seguro exige compromisso coletivo e permanente.
Ao final da apresentação, os estudantes participaram de perguntas sobre os temas abordados e receberam prêmios, encerrando a atividade em um clima de alegria, interação e aprendizado.
Outubro CiberSeguro
A programação teve início no dia 21 de outubro, na Gerência Regional da Anatel em Minas Gerais, em Belo Horizonte, com um encontro do Movimento Outubro CiberSeguro que reuniu cerca de 70 participantes. O encontro contou com representantes do Procon-MPMG e de instituições como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), ChildFund Brasil, Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais e Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br).
O debate foi organizado em dois painéis: "Por trás da tela: principais riscos e formas de proteção das crianças no ambiente digital" e "Uso consciente das ferramentas digitais pelos adolescentes". As discussões abordaram a exposição a conteúdos inadequados, as diferentes formas de violência virtual e a importância de desenvolver habilidades para que crianças e adolescentes utilizem a internet de maneira crítica, ética e responsável.
Durante sua participação, o promotor de Justiça e coordenador do Procon-MPMG, Luiz Roberto Franca Lima, chamou a atenção para estratégias utilizadas por plataformas e prestadores de serviços digitais para influenciar o comportamento dos usuários, especialmente dos mais jovens. A dimensão desse desafio aparece nos dados da pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, segundo a qual 92% da população de nove a 17 anos utiliza a internet. O promotor explicou que determinadas práticas podem estimular o consumo excessivo de conteúdos, jogos e outros serviços, explorando três recursos de grande valor no ambiente digital: o dinheiro, os dados pessoais e o tempo de atenção dos usuários.
Ao unir conhecimento técnico e linguagem teatral, Procon-MPMG e Anatel mostraram que a educação digital pode ultrapassar os debates e chegar ao cotidiano das crianças de forma leve, participativa e transformadora. As atividades reforçaram que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital depende da atuação integrada de instituições públicas, escolas, famílias e da própria sociedade.
