Início do conteúdo

Instituições deram prazo de cinco dias para que mineradora esclareça se manifestações representam posicionamento oficial da empresa

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) encaminharam ofício conjunto à Vale S.A. cobrando esclarecimentos sobre declarações feitas pelo vice-presidente executivo de Assuntos Jurídicos da empresa, Sami Arap Sobrinho, a respeito da atuação de procuradores e promotores de Justiça nos casos envolvendo os desastres de Mariana e Brumadinho. 

As declarações foram feitas durante o Congresso Internacional do Direito Minerário, realizado em Brasília no dia 16 de setembro. Segundo o ofício, o executivo atribuiu motivações de “ideologia”, “torpeza”, “maldade” e “má-fé” à atuação do Ministério Público em ações civis públicas, Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) e persecuções penais, além de defender a responsabilização pessoal e econômica de membros da instituição pelo exercício de suas funções.

No documento, os Ministérios Públicos manifestam repúdio às declarações e ressaltam que a atuação institucional decorre do cumprimento das atribuições estabelecidas pela Constituição Federal, entre elas a defesa da ordem jurídica, dos direitos sociais e individuais indisponíveis, do meio ambiente e dos direitos das populações atingidas.

O ofício destaca ainda que a Vale é compromissária de acordos judiciais de reparação relacionados aos desastres de Mariana, na Bacia do Rio Doce, e de Brumadinho, na Bacia do Paraopeba, e mantém interlocução permanente com as Instituições de Justiça para a execução das medidas previstas nesses instrumentos. Nesse contexto, MPF, MPMG e MPES afirmam que declarações que busquem desqualificar a fiscalização estatal ou associar a atuação de seus membros a motivações indevidas são incompatíveis com a relação institucional baseada na boa-fé necessária à implementação dos acordos.

As instituições também reafirmaram que a independência funcional dos membros do Ministério Público constitui garantia da sociedade e que a atuação nos processos de reparação continuará sendo conduzida com rigor técnico-científico, serenidade e firmeza na defesa dos direitos das vítimas e na proteção socioambiental.

Ao final, o MPMG, o MPF e o MPES deram prazo de cinco dias para que a Vale informe formalmente se as declarações de seu vice-presidente de Assuntos Jurídicos representam o posicionamento institucional da companhia perante as Instituições de Justiça e em relação aos acordos celebrados. O documento também requer que sejam adotadas as providências cabíveis para a devida retratação.

Leia a íntegra do ofício conjunto
 

Fim da notícia

Ministério Público de Minas Gerais

Assessoria de Comunicação Integrada
Diretoria de Conteúdo Jornalístico
jornalismo@mpmg.mp.br

Final do conteúdo