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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Coordenadoria de Combate ao Racismo e Outras Formas de Discriminação (Ccrad), concluiu nesta terça-feira, 15 de setembro, as atividades da 1ª turma do Ciclo "Fortalecer trajetórias para o mundo do trabalho".  

O projeto, que é direcionado a adolescentes trabalhadores do MPMG, tem o objetivo de oferecer formação ampla, unindo arte, cultura, educação e qualificação profissional, com foco na valorização da diversidade e no enfrentamento ao racismo. 

Com duração de um mês, a iniciativa contou com quatro encontros e visitas a vários espaços de Belo Horizonte: o cursinho pré-vestibular Educafro; o Cine Santa Tereza, em uma sessão de cine-debate promovida pelo Projeto Pretança; o Centro Universitário UNA, no Campus Aimorés; a Fundação Internacional de Capoeira Angola (Fica); e, no encerramento, nesta terça-feira, eles estiveram no Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos (Muquifu), no Aglomerado Santa Lúcia, onde foram recebidos pelo artista plástico Cleiton Gos, que é vice-diretor e coordenador do setor educativo do Museu. Em cada atividade, os 22 jovens do grupo aprenderam sobre letramento racial e educação.   

De acordo com a coordenadora da Ccrad, promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, pesquisa realizada pelo MPMG constatou que mais de 80% dos adolescentes trabalhadores da instituição são pessoas negras periféricas. "Nós criamos esse projeto para possibilitar que esses adolescentes tenham conhecimento e oportunidades. Esperamos que, quando concluírem o Ensino Médio e saírem do Ministério Público, não parem de estudar e vislumbrem possibilidades no mundo do trabalho", comentou Nádia.  

A promotora de Justiça destacou que a intenção é mostrar para os adolescentes a realidade do povo negro, proporcionar o letramento racial e fazê-los enxergar oportunidades profissionais. "Quando a gente estava construindo o projeto, eu não imaginei que seria tão positivo. Percebi que a explicação da mentora da faculdade, por exemplo, despertou neles a vontade de continuar os estudos. Na Medicina Veterinária e na Odontologia, eles fizeram algumas perguntas e teve um que falou assim: 'eu descobri o que eu vou ser'. Isso me chamou atenção e me deixou muito satisfeita e realizada", contou.  

Gabriel Santos de Souza está no 3º ano do ensino médio e é adolescente trabalhador da Secretaria Especializada do MPMG. Segundo ele, foi interessante saber como pessoas em vulnerabilidade podem enfrentar as dificuldades, por meio da educação, pra tentar encontrar um caminho. 

A adolescente Maria Eduarda Borges, atualmente na Corregedoria do Ministério Público, está cursando o 2º ano do Ensino Médio. Para ela, um dos aspectos interessantes foi descobrir mais sobre a história do povo negro. "Isso deveria estar mais presente no nosso dia a dia", disse. Ela também comentou que a visita ao Centro Universitário reforçou sua vontade de cursar Direito. 

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