Notícias - FundaçõesMPMG articula parceria que beneficia 94 crianças da Fundação Santa Filomena, em Contagem
Iniciativa reúne instituição de educação infantil e Centro Universitário UNA para promover saúde, desenvolvimento e inclusão. Desde março, alunos com idade entre 2 e 5 anos recebem atendimento de diferentes áreas da saúde, com atenção especial à identificação e abordagem precoces do Transtorno do Espectro Autista (TEA)
De um lado, uma instituição de educação infantil que busca oferecer às crianças mais oportunidades de cuidado e de desenvolvimento. Do outro, um centro universitário com estudantes de diferentes áreas da saúde dispostos a contribuir para essa missão. Unindo essas duas instituições, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que, por meio da 15ª Promotoria de Justiça de Contagem, articulou a parceria que já beneficia 94 crianças de 2 a 5 anos.









Iniciada em março deste ano, a iniciativa leva à Fundação Santa Filomena, em Contagem, atividades desenvolvidas por estudantes dos cursos de Nutrição, Odontologia, Psicologia, Fisioterapia e Enfermagem do Centro Universitário UNA – Unidade Contagem. As ações contribuem para a promoção da saúde e do desenvolvimento infantil, com atenção especial às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e à identificação precoce de outras particularidades no desenvolvimento.
A parceria surgiu de uma necessidade identificada pelo promotor de Justiça Alex Soares Nacif durante uma visita à instituição, no segundo semestre do ano passado. Na ocasião, a equipe da Fundação Santa Filomena apontou a falta de um espaço adequado para acolher crianças com TEA.
Ao buscar alternativas para a demanda, o promotor identificou, na estrutura da UNA, a possibilidade de estabelecer uma cooperação inicialmente voltada à Psicologia. A aproximação, no entanto, revelou outras oportunidades: a instituição de ensino também poderia contribuir com ações de estudantes de Nutrição, Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem, ampliando o alcance da iniciativa.
O MPMG acompanha a execução da parceria por meio de procedimento administrativo. Para Alex Nacif, a experiência demonstra que a atuação do Ministério Público na defesa das fundações vai além da análise de documentos e da prestação de contas. Também envolve conhecer a realidade das instituições, identificar suas necessidades e buscar caminhos para que cumpram sua finalidade social.
? INSIRA A FOTO AQUI ?De acordo com ele, diante das diversas atribuições do Ministério Público, é fundamental investir em ações que produzam resultados concretos na vida das crianças. “A infância e a juventude são áreas em que o Ministério Público precisa fazer a diferença, porque a Constituição determina que sejam prioridade absoluta. Quando identificamos uma demanda e mobilizamos instituições capazes de contribuir para atendê-la, damos efetividade a esse princípio e à finalidade social da própria fundação”, afirma.
Cuidado integral
Com a participação de coordenadores e estudantes dos cursos envolvidos, as atividades alcançam diferentes dimensões do desenvolvimento infantil. Na Nutrição, foram realizadas avaliações nutricionais das crianças e ações de educação alimentar. A Fisioterapia promoveu avaliações, especialmente de crianças indicadas pela equipe da fundação, e atividades voltadas ao desenvolvimento motor. Já a Odontologia prepara ações de promoção da saúde bucal, enquanto a Enfermagem contribuiu com atendimentos em uma atividade realizada na instituição.
Na Psicologia, além da observação das crianças e da atenção às necessidades de desenvolvimento, foram realizadas orientações sobre saúde mental para as profissionais que trabalham diariamente com elas. A proposta considera tanto o acolhimento das crianças quanto as condições de quem acompanha sua rotina.
Coordenadora dos cursos de Psicologia e Nutrição da UNA, Ana Paula dos Santos Gomes explica que o contato com a fundação permitiu compreender a dimensão das demandas e organizar ações em diferentes frentes. Segundo ela, a instituição atende crianças com diagnóstico de TEA e outras que apresentam sinais de desenvolvimento atípico e ainda precisam de avaliação mais aprofundada.
Ana Paula esclarece, ainda, que a identificação precoce dessas necessidades pode favorecer o encaminhamento para acompanhamento especializado e contribuir para intervenções mais adequadas em cada fase da infância. Por isso, a intenção é ampliar a atuação desde as turmas mais novas, que recebem crianças a partir dos 2 anos, e construir estratégias que também envolvam as famílias. “Quando conseguimos acompanhar uma criança desde cedo, temos mais oportunidades de identificar suas necessidades e agir de maneira adequada, prevenindo possíveis complicações e favorecendo seu desenvolvimento. Queremos avançar também no trabalho com as famílias, para que esse cuidado não fique restrito ao ambiente da instituição”, destaca.
A coordenadora acrescenta que a parceria deverá avançar com a organização de estágios e atividades de extensão realizados diretamente na fundação, especialmente na área de Psicologia. A expectativa é dar continuidade às ações já iniciadas e estabelecer um acompanhamento mais sistemático, de acordo com as necessidades identificadas.
Aprendizado
Além dos benefícios para as crianças, a iniciativa aproxima os estudantes universitários de situações reais de atuação profissional e de diferentes contextos sociais. Para Ana Paula, a experiência permite aplicar os conhecimentos adquiridos em sala de aula, desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe e compreender as particularidades de cada público atendido.
“É uma joia preciosa para nós, porque os alunos têm a oportunidade de colocar em prática os conceitos que aprendem na faculdade e conviver com crianças, profissionais e realidades diferentes. Essa experiência contribui não apenas para a formação profissional, mas também para o desenvolvimento humano dos estudantes”, afirma.
Um exemplo dessa integração é o trabalho desenvolvido por Derli Aparecida Silva Moreira, estudante do 8º período de Nutrição. Para abordar a alimentação saudável de forma acessível às crianças, ela criou a personagem Vovó Bola, que utiliza uma linguagem lúdica para incentivar o consumo de frutas, verduras e outros alimentos importantes para o crescimento.
A proposta também dialoga com a experiência pessoal da estudante, que tem 55 anos e é avó. Ao criar a personagem, Derli buscou ressignificar a imagem da avó que oferece doces aos netos, apresentando uma figura que estimula hábitos alimentares saudáveis.
“Foi muito gostoso ver as crianças indo atrás de mim no corredor da escola, me chamando de Vovó Bola. Esse contato foi muito enriquecedor, porque a educação alimentar começa na infância, e as crianças têm uma capacidade de compreensão surpreendente. É gratificante perceber que podemos contribuir para que elas construam hábitos que vão levar para a vida”, conta.
Novos passos
Fundada há 44 anos pelo casal Paulo Rogério Marzullo da Silva e Maristela Aguiar da Silva, a Fundação Santa Filomena começou como uma creche que atendia 20 crianças e, aos poucos, foi ampliando sua atuação. Hoje, é reconhecida como entidade de utilidade pública nas esferas municipal, estadual e federal.
Para o presidente da fundação, a parceria representa um avanço na capacidade de responder às necessidades das crianças, especialmente diante da diversidade de demandas que chegam à instituição. “Essa parceria está nos dando condições de trabalhar melhor e ajudar mais as crianças. O Ministério Público teve um papel fundamental porque procurou conhecer nossa realidade e identificar do que precisávamos. Esse olhar sensível do promotor Alex fez muita diferença, e esperamos que o trabalho continue crescendo”, afirmou Paulo Rogério.
O presidente também ressaltou a importância de envolver as famílias nas ações, para que os avanços na educação, na alimentação e no desenvolvimento das crianças tenham continuidade em casa e contribuam para fortalecer a rede de proteção à infância.
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