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Número de vítimas protegidas por Unidades Portáteis de Rastreamento passou de 610 para 1.226 entre agosto de 2025 e setembro de 2026. Iniciativa estabelece fluxo estadual integrado para gestão de risco, avaliação e fiscalização das medidas de monitoração eletrônica

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O número de mulheres em situação de violência doméstica e familiar protegidas por Unidades Portáteis de Rastreamento (UPRs), conhecidas como “botões do pânico”, dobrou em Minas Gerais entre agosto de 2025 e setembro de 2026. No período, o total passou de 610 para 1.226 vítimas protegidas, um crescimento de 100,98%. Os dados são da Diretoria de Gestão e Monitoramento Eletrônico (DME), da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), e integram o acompanhamento da política de proteção fortalecida por um Acordo de Cooperação Técnica. 

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Firmado entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e a Sejusp, o acordo estabelece um fluxo estadual interinstitucional para a gestão de risco, a avaliação e a fiscalização da monitoração eletrônica de autores de violência doméstica e familiar contra a mulher, além da utilização das UPRs disponibilizadas às vítimas. 

O levantamento mais recente, com dados de 30 de setembro de 2026, registra 2.950 pessoas com monitoramento eletrônico ativo em Minas Gerais. Desse total, 1.724 são agressores monitorados por tornozeleiras eletrônicas e 1.226 são vítimas protegidas pelas unidades portáteis de rastreamento. 

No início do período analisado, em 31 de agosto de 2025, havia 999 agressores monitorados e 610 vítimas com UPRs, totalizando 1.609 pessoas acompanhadas pelo sistema. A comparação demonstra que o número de agressores monitorados aumentou 72,57%, enquanto o total de pessoas com monitoramento eletrônico ativo cresceu 83,34%. 

Ampliação da cobertura no interior do estado 

Os dados também apontam a ampliação da cobertura territorial da política pública. Das 1.226 vítimas protegidas em setembro de 2026, 762 estavam vinculadas à Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e 464 residiam no interior do estado. 

Na comparação com o período inicial, o crescimento proporcional do número de vítimas protegidas no interior foi de 36,87%, acima dos 18,69% registrados na RMBH. Os indicadores evidenciam a expansão do alcance da iniciativa para além da região metropolitana, ampliando a presença do mecanismo de proteção em diferentes regiões de Minas Gerais. 

De acordo com a promotora de Justiça Denise Guerzoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD) do MPMG, a ampliação do monitoramento integra uma estratégia de atuação coordenada entre as instituições responsáveis pela aplicação e fiscalização das medidas protetivas de urgência. "A cooperação busca aprimorar a circulação de informações, identificar situações em que as determinações judiciais ainda não foram efetivamente implementadas e favorecer a adoção das providências necessárias para assegurar a proteção das mulheres", explica. 

Integração institucional  

Segundo Denise, a atuação conjunta prevista no acordo permite fortalecer o acompanhamento dos casos em que foi determinada a monitoração eletrônica do agressor e a disponibilização de dispositivo de rastreamento à vítima. 

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A promotora de Justiça informa, ainda, que a Unidade Portátil de Rastreamento permite que a vítima seja alertada sobre situações de aproximação indevida do agressor, conforme os parâmetros definidos judicialmente, e acione as forças de segurança quando necessário. O equipamento funciona de forma independente e também integrada à monitoração eletrônica do autor da violência, constituindo um recurso adicional para acionamento das forças de segurança e a fiscalização das restrições impostas pela Justiça. 

Para Denise Guerzoni, os indicadores são referências importantes para acompanhar a execução do acordo e a ampliação do acesso aos mecanismos de proteção. 

A análise dos resultados, contudo, deve considerar, segundo ela, outros elementos relacionados à efetividade das medidas protetivas, à prevenção de novas ocorrências e à segurança das mulheres atendidas.  

"A comparação entre os números de diferentes períodos, isoladamente, não permite atribuir exclusivamente ao acordo todas as variações observadas. O acompanhamento contínuo dos dados e o aprimoramento dos fluxos de atuação interinstitucional são, portanto, fundamentais para avaliar os resultados da política pública e identificar oportunidades de aperfeiçoamento da proteção oferecida às mulheres em situação de violência doméstica e familiar em Minas Gerais", destacou.

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