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Iniciativa do MPMG já garantiu a adoção responsável de 19 animais e reforça a transição para o uso de charretes elétricas no turismo da cidade histórica

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A substituição das tradicionais charretes de tração animal por veículos elétricos em Tiradentes, na região do Campo das Vertentes, alcançou mais uma etapa importante nesta terça-feira, 1º de setembro, com a entrega dos cavalos que deixaram de ser utilizados nos passeios turísticos aos adotantes selecionados. A medida dá continuidade ao Projeto Charretour, que em março deste ano promoveu a entrega das primeiras 10 charretes elétricas ao município, iniciativa viabilizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio de recursos de medidas compensatórias destinados pela Plataforma Semente.

A entrega dos animais representa a consolidação de um dos principais objetivos do projeto: assegurar que a substituição da tração animal resulte não apenas em inovação tecnológica, mas também em proteção efetiva aos cavalos que durante anos atuaram na atividade turística da cidade.

Segundo a coordenadora estadual de Defesa dos Animais (Ceda) do MPMG, promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, a adoção responsável constitui uma etapa essencial do processo de transição.

“Não basta retirar os animais da atividade de tração. É necessário garantir assistência veterinária, destinação adequada e acompanhamento posterior. Essa fase concretiza a finalidade principal do projeto, que é reconhecer os cavalos como seres sencientes e destinatários de tutela e cuidado”, afirma.

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Nesta etapa, 19 foram encaminhados para adoção. O processo de seleção dos adotantes foi conduzido pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e pelo Instituto Arbo, entidades responsáveis pela triagem técnica dos interessados. De acordo com a médica veterinária Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, a escolha envolveu reuniões virtuais, análise documental e aplicação de questionários detalhados sobre a estrutura disponível para acolhimento dos animais e os compromissos assumidos pelos futuros tutores.

“Buscamos conhecer não apenas a destinação do animal, mas também o grau de comprometimento do interessado com todos os cuidados necessários ao seu bem-estar”, explica.

Os participantes receberam orientações sobre as restrições de uso dos cavalos, responsabilidades decorrentes da guarda e condições adequadas para manutenção dos animais. Após a análise das informações, foram formalizadas as intenções de adoção, realizados exames obrigatórios e emitida a documentação necessária para a transferência.

Embora a procura inicial tenha ficado dentro das expectativas, o interesse cresceu ao longo do processo. A maioria dos adotantes é de Minas Gerais. Houve também interessados de outros estados, mas nem todos atenderam aos requisitos estabelecidos para garantir condições adequadas de acolhimento.

Respeito, responsabilidade e direitos

Entre os casos que chamaram a atenção da equipe está o de uma família do Sul de Minas que adotou seis cavalos. Os animais passarão a viver em uma fazenda onde também contribuirão para a educação das crianças sobre respeito, responsabilidade e direitos dos animais.

Para a promotora Luciana Imaculada de Paula, os benefícios da iniciativa vão além da retirada definitiva dos cavalos da atividade de tração. “O projeto possui um importante caráter pedagógico. Ao substituir a força animal pela tecnologia, transmite uma mensagem de respeito e empatia, demonstrando que a tradição e o turismo podem evoluir sem a exploração de animais”, destaca.

Além da proteção direta aos cavalos, a experiência tem servido como referência para outros municípios. Desde a entrega das primeiras charretes elétricas, o projeto vem sendo apontado como um modelo de transição gradual e socialmente responsável, conciliando preservação da atividade turística, manutenção da renda dos trabalhadores e promoção do bem-estar animal.

O acompanhamento dos animais continuará nos próximos meses. As entidades responsáveis já iniciaram contatos com os adotantes para verificar a adaptação dos cavalos aos novos lares e pretendem manter monitoramento mais próximo durante pelo menos seis meses.

A próxima fase do projeto prevê a entrega de outras 10 charretes elétricas ao município, em iniciativa conduzida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais com recursos provenientes de emenda parlamentar. Com isso, outros 20 cavalos deverão ser retirados da atividade e encaminhados para adoção responsável.

Relembre como foi a entrega das primeiras 10 charretes

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