Notícias - Enfrentamento às DiscriminaçõesRoda de conversa reúne alunos da 2ª edição do projeto Tenório no MPMG, em Belo Horizonte
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Coordenadoria de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação (Ccrad), realizou nesta quarta-feira, 12 de agosto, em Belo Horizonte, a primeira roda de conversa com os participantes da 2ª edição do Projeto Tenório - iniciativa do MPMG que tem o intuito de ampliar o acesso de pessoas negras às carreiras jurídicas para promover diversidade e representatividade nas instituições de Justiça.
Durante um ano, o projeto concede, a cada um dos 15 alunos negros, uma bolsa de estudos integrais do curso preparatório da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Minas Gerais (FESMP), o empréstimo de um notebook, ajuda financeira de R$ 2 mil mensais, um Vade Mecum atualizado e acompanhamento psicológico. O Tenório é viabilizado com recursos obtidos pelo MPMG por meio de medidas compensatórias ambientais. O repasse financeiro é feito pela Plataforma Semente.









De acordo com a promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, que está à frente da Ccrad, o objetivo do encontro foi ouvir feedbacks e testemunhos dos estudantes para aprimorar a iniciativa. Ela contou que, no ano passado, durante a roda de conversa da 1ª edição, os integrantes da Ccrad puderam perceber, pelos relatos, como a assistência psicológica aos participantes é fundamental. “As pessoas negras, principalmente as mulheres, têm a autoestima baixa e isso impacta na preparação para os concursos. A assistência psicológica é estratégica e não pode ser retirada”, destacou a promotora de Justiça, revelando que está em estudo a implantação de mentorias com promotores de Justiça da instituição.
A reunião contou com a participação remota da ex-aluna Michelle Rosa, recém-empossada como defensora pública de Pernambuco. Segundo ela, o projeto Tenório ofereceu instrumentos essenciais para que ela obtivesse a aprovação. “O acompanhamento psicológico, as aulas da Escola Superior do Ministério Público, as orientações, os materiais fornecidos e a ajuda financeira auxiliaram muito no processo”, disse Michelle.
Ela também ressaltou a importância do autoconhecimento e de acreditar no próprio potencial. “É necessário que cada um saiba quais são as suas qualidades e fraquezas para traçar estratégias”, comentou.
A reunião, que foi realizada no formato híbrido, teve a participação de oito alunas, sendo uma delas de forma remota, e dois alunos. Eles falaram da trajetória e das dificuldades que encontram como candidatos de concursos às carreiras jurídicas, esclareceram dúvidas com a defensora pública recém-empossada e com os integrantes da Ccrad do MPMG. O encontro também teve a participação dos representantes do Observatório Lei.a, da FESMPMG e da Educafro Minas, parceiros da iniciativa.
No encontro, os presentes puderam ver um vídeo que contou a história de Jorge Gonçalves Tenório, que dá nome ao projeto. Ele foi um promotor de Justiça negro do Ministério Público de Minas Gerais, que atuava na comarca de Três Marias. Durante uma viagem a trabalho a Belo Horizonte, foi abordado, algemado e preso por policiais que duvidaram da sua palavra, quando ele disse que era promotor de Justiça do MPMG. Pouco tempo depois, quando estava vindo a Belo Horizonte para tomar providências a respeito desse caso de racismo, sofreu um acidente de carro na BR-040, e morreu aos 32 anos.
