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Dependência econômica ainda é um dos principais fatores que dificultam o rompimento de ciclos de violência doméstica; programação reuniu especialistas, projetos sociais e mulheres que transformaram experiências de violência em iniciativas de geração de renda

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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou nesta terça-feira, 12 de agosto, um evento comemorativo pelos cinco anos da Ouvidoria das Mulheres, promovendo debates sobre autonomia financeira, empreendedorismo e educação financeira como instrumentos de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa reuniu representantes de instituições públicas, especialistas e projetos sociais voltados ao fortalecimento da independência econômica feminina.

A abertura das atividades contou com as presenças da promotora de Justiça, Nádia Stela Ferreira Mateus, responsável pela Coordenadoria de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação (CCRAD); promotor de Justiça, Rolando Carabolante, ouvidor do MPMG; procuradora de Justiça, Márcia Pinheiro de Oliveira Teixeira, subcorregedora-geral do MPMG; deputada estadual, Ana Paula Siqueira; desembargadora do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, Ivone Campos Cerqueira; promotor de Justiça, Leonardo Barreto Moreira Alves, diretor pedagógico do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf); e ouvidora da Ordem dos Advogados do Brasil/Minas Gerais, Gláucia Fernandino de Castro.

Para o ouvidor do MPMG, Rolando Carabolante, a atuação da Ouvidoria das Mulheres representa um importante canal de acolhimento e proteção para mulheres e meninas vítimas de violência. Segundo ele, o conceito de cuidado envolve não apenas a integridade física, mas também aspectos emocionais e financeiros. “O evento revela uma preocupação com a saúde financeira das mulheres. Muitas vezes, a dependência econômica faz com que elas sofram em silêncio. Por isso, a iniciativa foi pensada como forma de apoio, incentivo e motivação para que possam conquistar sua independência e enfrentar qualquer forma de violência”.

O promotor de Justiça ressaltou ainda que, embora a violência contra a mulher continue sendo uma realidade presente na sociedade, cresce o número de mulheres conscientes de seus direitos e dispostas a denunciar situações de abuso. Ele reforçou a importância da busca por canais especializados de acolhimento e orientação.

De acordo com a assessora psicóloga da Ouvidoria das Mulheres, Ana Luiza Gomes, a escolha do tema foi motivada pela realidade observada nos atendimentos realizados pelo órgão. Segundo ela, a dependência financeira ainda figura entre os principais fatores que mantêm mulheres em contextos de violência, dificultando a construção de novos projetos de vida.

 

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A programação contou com palestras sobre violência patrimonial, atitude empreendedora e educação financeira, além da apresentação de iniciativas que atuam na qualificação profissional e na geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade. Também participaram projetos como o Para Elas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Projeto Sol e o Grupo Mulheres da Serra, que desenvolvem oficinas de artesanato, culinária, produção de temperos caseiros e crochê, transformando aprendizado em oportunidade de renda.

 

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Projeto Para Elas

A coordenadora do Projeto Para Elas e do Núcleo de Promoção da Saúde e da Paz da Faculdade de Medicina da UFMG, Lauriza Maria Nunes, destacou que o trabalho desenvolvido pela iniciativa alia acolhimento, atendimento multidisciplinar e geração de renda para mulheres em situação de violência. O projeto oferece rodas de conversa, atendimentos realizados por profissionais de diferentes áreas da saúde e oficinas de artesanato, costura e produção de bijuterias, cujos produtos são comercializados em bazares, permitindo que as participantes obtenham renda própria.

Segundo Lauriza, a autonomia financeira representa um importante instrumento de fortalecimento e valorização pessoal para mulheres que, muitas vezes, nunca tiveram oportunidade de trabalhar ou gerar renda. Ela ressalta que os recursos obtidos com a venda dos produtos ajudam a suprir necessidades do dia a dia e contribuem para o resgate da autoestima e da autonomia das participantes.

Além do retorno financeiro, as atividades funcionam como espaços de convivência, escuta e compartilhamento de experiências relacionadas às diversas formas de violência enfrentadas pelas mulheres.

Para a coordenadora, a iniciativa promovida pelo MPMG é importante por dar visibilidade ao tema e aos projetos que atuam diretamente nos territórios. Ela avalia que ações como essa ampliam o debate sobre a violência contra a mulher e fortalecem as redes de apoio voltadas ao acolhimento e à promoção da independência econômica das vítimas.

Grupo Mulheres da Serra

Cristiana Silva de Lima, fundadora do Grupo Mulheres da Serra e presidente da Associação de Ação Social Morada da Serra foi vítima de violência patrimonial e transformou a própria experiência em uma iniciativa voltada à geração de renda e ao fortalecimento da autonomia de outras mulheres.

Segundo ela, o projeto surgiu da percepção de que a independência financeira é fundamental para que mulheres em situação de violência consigam recomeçar suas vidas. Atualmente, o grupo reúne cinco mulheres, todas vítimas de algum tipo de violência, na produção e comercialização de temperos artesanais, atividade que busca gerar renda e ampliar oportunidades de inclusão produtiva. “A nossa intenção é crescer, alcançar mais mulheres e criar oportunidades. Sonhamos com uma cozinha comunitária para oferecer cursos de culinária e, futuramente, com um restaurante que permita a essas mulheres trabalhar com autonomia, dignidade e respeito”, explica.

Cristina Silva também atua como promotora popular de defesa comunitária, iniciativa desenvolvida pelo MPMG em parceria com a Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais e outros parceiros. As 
promotoras populares atuam na luta pela igualdade de gênero e no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, debatendo temáticas como opressões estruturais, mundo do trabalho, violência contra as mulheres e acesso à cidade e a equipamentos públicos. Essas lideranças estão em formação continuada.

Atendimento

A Ouvidoria das Mulheres do MPMG atende mulheres e meninas de todos os 853 municípios mineiros, além de pessoas que desejem denunciar ou buscar orientação sobre casos de violência contra mulheres. O canal gratuito de atendimento é o telefone 127.

Também estão disponíveis o telefone (31) 3330-9504, atendimento presencial na Rua Timbiras, nº 2.928, 5º andar, em Belo Horizonte, e formulário eletrônico disponível no portal do MPMG.

O serviço oferece acolhimento humanizado, orientação e encaminhamentos à rede de proteção e às promotorias de Justiça quando necessário.

O evento foi transmitido pela TVMP

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Ministério Público de Minas Gerais

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