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Com o avanço da criminalidade no ambiente virtual, o impacto das fraudes digitais e a necessidade de mecanismos de proteção ao cidadão ganham destaque no debate público. Em entrevista à TV MP Entrevista 154, o promotor de justiça da Coordenadoria Estadual Criminal de Controle Externo da atividade policial e da Auditoria Militar do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Rafael Henrique Martins Fernandes, analisou os dados da segunda edição do relatório Jornada dos Golpes 2026, produzido pelo Observatório Lupa. O estudo mapeou as principais táticas de engenharia social, sazonalidade e ferramentas tecnológicas utilizadas por criminosos no país. 
 
Segundo o promotor, que atuou como revisor do relatório e integra a Global Anti-Scam Alliance, o levantamento apontou uma forte tendência no uso do pix como meio preferencial para a transferência de valores ilícitos, devido à alta velocidade de transação e à facilidade para pulverizar os ativos em contas de passagem. Ele destacou que o país registra uma tentativa de fraude a cada dois segundos, evidenciando uma subnotificação significativa em relação aos dados oficiais. “Os golpes digitais vêm crescendo numa velocidade muito forte, impactando cada vez mais cidadãos brasileiros”, afirmou. 
 
Durante a entrevista, Rafael Henrique explicou que as fraudes apresentam previsibilidade e sazonalidade, aproveitando-se de datas comerciais, programas governamentais e marcas de grande credibilidade para enganar a população. O uso de inteligência artificial para a criação de sites falsos e deep fakes (uso fraudulento da imagem e voz de uma pessoa em vídeos) também foi apontado como um fator de sofisticação dos crimes, que em 71% dos casos prometem vantagens financeiras ou exploram o senso de urgência das vítimas. Entre as orientações práticas, o promotor sugeriu que o cidadão adote a desconfiança como regra, faça checagens de links e realize o caminho reverso, entrando em contato diretamente com as instituições oficiais, além de acionar o Mecanismo Especial de Devolução, o MED, junto aos bancos em caso de incidentes. 
 
O promotor de Justiça também relembrou o sucesso do projeto piloto Chegando Junto, idealizado por ele e executado pelo MPMG, que utilizou anúncios preventivos no Google para direcionar cartilhas antifraude aos cidadãos, alcançando reconhecimento internacional. Para o futuro do combate aos crimes cibernéticos, ele ressaltou a importância de investimentos na capacidade estatal de processamento de dados massificados, na especialização das equipes de investigação e na união de esforços com plataformas digitais, com destaque para a responsabilização objetiva das empresas por anúncios fraudulentos após as recentes modulações do Supremo Tribunal Federal no Marco Civil da Internet. 
 

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Ministério Público de Minas Gerais

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