Notícias - ConsumidorProjeto Nosso Consumo, Nossa Voz, do MPMG, realiza ação educativa sobre produtos bancários para indígenas da Aldeia Escola Floresta, em Teófilo Otoni

Acostumados a enfrentar situações de preconceito e constrangimento em relações comerciais, consumidores indígenas da etnia Maxakali viveram uma experiência diferente nessa quarta-feira, 6 de maio, em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Cerca de 40 indígenas da Aldeia Escola Floresta participaram de uma ação educativa promovida pela Coordenadoria Regional de Defesa do Consumidor, em parceria com o Banco Itaú e com apoio do Procon Municipal. O encontro aconteceu no auditório das Promotorias de Justiça da cidade. A iniciativa integra as ações do projeto Nosso Consumo, Nossa Voz desenvolvido pelo Procon-MPMG, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Pela primeira vez, uma instituição financeira apontada em denúncias relacionadas a possíveis práticas abusivas contra consumidores indígenas aceitou participar diretamente de uma ação de orientação e diálogo. Os relatos encaminhados à Promotoria de Justiça de Teófilo Otoni mencionavam situações de assédio comercial, oferta irregular de produtos financeiros, contratação de seguros, consórcios, empréstimos e cobranças de taxas que vinham comprometendo boa parte da renda das famílias indígenas.
Mais do que uma atividade educativa sobre consumo, o encontro representou uma mudança simbólica importante para um povo que frequentemente denuncia tratamento discriminatório em estabelecimentos comerciais. Desta vez, os indígenas não foram tratados apenas como clientes, mas como protagonistas de uma ação construída para ouvi-los, orientar e acolher suas demandas.

Durante a atividade, representantes da instituição financeira apresentaram informações sobre educação financeira, uso consciente do dinheiro, contratação de crédito, investimentos e utilização do caixa eletrônico. A equipe também ouviu reclamações individuais dos consumidores e se comprometeu a manter a parceria em futuras ações junto a outras comunidades da região.
Segundo a promotora de Justiça e coordenadora regional do Procon-MPMG em Teófilo Otoni, Milena Ribeiro de Matos Xavier, o projeto busca fortalecer os direitos dos povos originários nas relações de consumo e enfrentar vulnerabilidades históricas vivenciadas por essas comunidades. “O objetivo é dar visibilidade e garantir os direitos dos povos originários enquanto consumidores. A relação entre esses consumidores com instituições bancárias demanda maior atenção, tendo em vista a condição de hipervulnerabilidade dos indígenas, dadas as barreiras culturais, linguísticas e socioeconômicas, além das discriminações por eles sofridas junto a fornecedores locais”, afirmou.

Criado a partir de denúncias envolvendo preconceito contra indígenas no comércio de Teófilo Otoni, o projeto Nosso Consumo, Nossa Voz vem ampliando sua atuação em Minas Gerais por meio de ações educativas, escuta qualificada das comunidades e articulação com instituições públicas e privadas para fortalecer a defesa dos direitos dos consumidores indígenas que vivem em Minas Gerais.
