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Modernismo, Barroco e Aleijadinho. A apresentação da candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha a Patrimônio Cultural da Humanidade, realizada pela Fundação Municipal de Cultura, foi o ponto de partida para o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, da Coordenadoria das Promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, mergulhar nas referências artísticas e culturais das cidades históricas mineiras para o que ele chamou de busca de uma identidade para a nação brasileira. Essência que, segundo o promotor de Justiça, pode ter como principais origens a arte barroca e as obras de um dos maiores gênios do estilo: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Resultado de 20 anos de estudos e pesquisas, o conhecimento do integrante do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) sobre a vida e a obra de Aleijadinho foi apresentado a membros do Colégio de Diretores de Escolas do Ministério Público do Brasil (CDEMP) durante encerramento de reunião ordinária do grupo, realizada na manhã desta sexta-feira, 21 de agosto, na Casa do Baile, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

Escolhida para sediar o encontro, a construção modernista sustenta, juntamente com outros quatro bens projetados por Oscar Niemeyer – Iate Tênis Clube, Igreja de São Francisco de Assis, Museu de Arte da Pampulha e Casa Kubitschek –, a candidatura do Conjunto Moderno da Pampulha para entrar no grupo do patrimônio cultural mundial, considerado de valor universal pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Redescoberta do Brasil em Minas Gerais
Sobrepondo fotos do Palácio da Alvorada, obra de Niemeyer que fica em Brasília, e dos antigos mercados de tropeiro de Diamantina – município histórico de Minas Gerais –, Marcos Paulo Miranda apontou características do Barroco mineiro que se tornaram referências para o Modernismo e para a criação de uma essência para o povo brasileiro. “A Semana de Arte Moderna, em 1922, foi um divisor de águas para a cultura e a nacionalidade do país. Naquele momento, os bens das cidades históricas mineiras causaram um encantamento nos artistas modernistas. A figura de Aleijadinho adquiriu um papel de suma importância”, afirmou.

Filho do português Manuel Francisco Lisboa, Aleijadinho integrou, provavelmente, uma família de artesãos. “A família dele veio para o Brasil com a geração do avô. Era um clã de artífices”, conta o promotor de Justiça. Marcos Paulo revelou que um dos principais desafios durante suas pesquisas foi encontrar algum registro que comprovasse a data de nascimento do artista. Apesar de não localizar esse registro, ele disse que encontrou um documento que indicava o dia 26 de junho de 1737 como a data de batizado do artesão. “Possivelmente ele nasceu até sete dias antes do batizado. Porém, naquele tempo, não havia muito rigor com as datas”, explicou, justificando o porquê de o ano de nascimento do artesão ser considerado 1738.

Marcos Paulo também contou a história de uma exumação secreta, além das três oficiais conhecidas, que teria sido feita nos restos mortais do escultor, das possíveis doenças que o acometeram e do local correto de seu sepultamento.


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24/08/2015
 

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