Notícias - Tribunal do JúriMPMG obtém condenação de três torcedores cruzeirenses por emboscada contra ônibus coletivo e morte de torcedor atleticano em Belo Horizonte
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 7ª Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, obteve nesta quarta-feira, 29 de julho, a condenação de três torcedores cruzeirenses — à época, membros de uma torcida organizada — envolvidos no ataque a um ônibus de transporte coletivo que levava torcedores e integrantes de uma torcida organizada do Atlético Mineiro. O ataque ocorreu em novembro de 2021 e resultou na morte de um torcedor atleticano de 20 anos, no bairro Novo das Indústrias, na região do Barreiro, na capital mineira.
Os três réus foram condenados pelo homicídio qualificado contra o jovem. Um deles, com pena maior, também foi condenado pela tentativa de homicídio contra outros cinco passageiros que estavam no coletivo. A pena fixada foi de 48 anos e seis meses de prisão para o réu de 25 anos, 24 anos de prisão para o réu de 28 anos e 20 anos de prisão para o réu de 24 anos. O júri contou com a atuação dos promotores de Justiça Rodrigo Ladeira de Araújo Abreu, Janaíni Keilly Brandão Silveira e Luciano Sotero Santiago.
“Trata–se de um caso bastante complexo e que envolvia a atuação de torcidas organizadas. Eles foram flagrados após esses atos agressivos contra o coletivo, atacando também pessoas comuns, só porque estavam no mesmo coletivo do que pessoas uniformizadas com camisas da torcida organizada rival, no caso do Atletico Mineiro. Eles utilizaram paus, pedras e bombas contra o coletivo”, pontuou a promotora de Justiça Janaíni Keilly Brandão.
Os jurados acolheram todas as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público: crimes praticados por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa das vítimas (emboscada) e utilização de meio cruel no homicídio consumado e na tentativa de homicídio contra um dos passageiros, atacado com uso de fogo. Um quarto homem, que também responderia perante o júri, teve o processo desmembrado e será julgado oportunamente.
Os réus já haviam passado pelo Tribunal do Júri anteriormente, mas os julgamentos foram anulados por decisão da Justiça, que reconheceu irregularidades processuais. Por conta disso, um novo júri foi marcado e os acusados respondiam aos crimes em liberdade.
“Um processo de grande complexidade e dificuldade, envolvendo três réus com diversas imputações entre homicídios tentado e um homicídio consumado. Tivemos aqui a brilhante participação dos promotores de Justiça Janaíni Keilly Brandão e Luciano Sotero Santiago que atenderam de forma altruísta e espontânea o pedido para que de maneira fundamental fizéssemos os três esses dois dias de julgamento em um plenário com muitas nuances e detalhes. Alcançamos esse resultado com essa união de esforços”, agradeceu o promotor de Justiça Rodrigo Ladeira.
De acordo com a denúncia, no dia do crime, os réus armaram uma emboscada para membros de uma torcida organizada rival após o Atlético Mineiro vencer uma partida contra o Fluminense no Estádio Mineirão. Eles sabiam que as vítimas voltavam em direção ao Barreiro na linha de ônibus 6350 (Vilarinho/Barreiro) e chegaram a convocar outros comparsas não identificados.
Para realizar o ataque, os acusados seguiram em um veículo com a intenção de interceptar o ônibus para que os demais integrantes da torcida chegassem logo em seguida. Após a abordagem ao coletivo, os agressores começaram a gritar que os rivais iriam morrer e, munidos de pedras, bolas de sinuca, barras de ferro e pedaços de pau, deram início ao ataque.
A denúncia narra que as vítimas tentaram negociar a saída de idosos, crianças e pessoas que sequer haviam ido à partida de futebol, mas os réus negaram a liberação e afirmaram que todos iriam morrer. Passageiros que tentavam escapar pelas janelas eram agredidos. Esse foi o caso do jovem de 20 anos que, embora não estivesse uniformizado com camisa de time nem de torcida organizada, acabou severamente agredido no local. Ele chegou a ser levado para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o ataque, os agressores se dispersaram, mas a Polícia Militar conseguiu prender os réus. Com eles, no interior do veículo utilizado para a abordagem, foram apreendidos três bastões de madeira, cinco artefatos explosivos de fabricação caseira, um soco inglês e fogos de artifício.
“Nós obtivemos essa condenação, mas em respeito à vítima que morreu. Um jovem de 20 anos que foi trucidado pelo ódio de uma torcida em relação a outra. A mãe dele há muito tempo ansiava por isso”, explicou o promotor de Justiça Luciano Sotero.
Após a sentença, os mandados de prisão contra eles foram imediatamente expedidos e eles foram levados para o Sistema Prisional.
Processo nº. 2306716-89.2021.8.13.0024
