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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça do Tribunal do Júri de Bom Despacho, na região Centro-Oeste do estado, obteve nesta quarta-feira, 15 de julho, a condenação a 20 anos e nove meses de prisão de um homem de 41 anos por feminicídio cometido contra a ex-companheira, de 23 anos. Na época do crime, os dois mantinham uma união estável e tinham uma filha de apenas um ano e cinco meses. O crime ocorreu na madrugada do dia 2 de fevereiro de 2022 e gerou grande repercussão na cidade.

De acordo com a denúncia do MPMG, o casal iniciou uma discussão na noite do dia 1º de fevereiro, que se arrastou até a madrugada. Em determinado momento, o homem atacou a vítima e a asfixiou, o que, segundo o laudo da necropsia, foi a causa direta de sua morte.

Segundo o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados e, ao entrarem na residência, encontraram a vítima já sem vida. O autor havia enrolado o corpo em uma colcha verde. Após o crime, ele fugiu do local e foi realizar uma corrida de aplicativo. A filha do casal, de apenas um ano e cinco meses, dormia no quarto enquanto a mãe estava morta em casa. Ela ficou sob o cuidado de parentes.

O homem, que trabalhava em uma farmácia na cidade, não foi localizado logo após o crime. A investigação apurou que, depois do assassinato, ele chegou a fazer contato com algumas pessoas. Ele só se apresentou à polícia após o período do flagrante ter expirado.

Testemunhas afirmaram que o relacionamento dos dois era conturbado. Um boletim de ocorrência registrado anteriormente, quando a vítima estava grávida de oito meses, apontava que ela já havia sido agredida de diversas formas pelo companheiro.

O Conselho de Sentença acatou as qualificadoras apontadas pelo MPMG: o emprego de asfixia e o cometimento do crime contra a mulher em âmbito doméstico e familiar. O juízo determinou a destituição do poder familiar do réu em relação à filha e a execução imediata da pena. O acusado, que respondia pelo crime em liberdade, foi preso ao final da sessão.

O Júri contou com a atuação dos promotores de Justiça Luana Cimetta Cançado e Lucas Augusto Resende Monteiro. "A Justiça foi feita. A mãe da vítima, que dizia se sentir fracassada, humilhada e um lixo por ver o feminicídio da filha impune. Hoje sai daqui, pelo menos, com o consolo no coração de que a Justiça tardou, mas não falhou", afirmou a promotora de Justiça Luana Cimetta Cançado.

A juíza ainda determinou que o réu pague uma indenização de R$ 20 mil à família da vítima.

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Ministério Público de Minas Gerais

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