Notícias - Violência DomésticaMPMG discute papel dos homens no combate à violência contra a mulher
Ciclo de Diálogos da Lei Maria da Penha encerrou a programação do MPMG do "Agosto Lilás"
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica (CAO-VD), promoveu nesta quinta-feira, 28 de agosto, em Belo Horiozonte, o “Ciclo de diálogos da Lei Maria da Penha”, que encerra a programação de eventos organizados pela instituição durante o “Agosto Lilás”, mês dedicado à mobilização e conscientização sobre o combate à violência contra a mulher.

O encontro teve o objetivo de sensibilizar o público, principalmente homens, sobre a importância do olhar de gênero para o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres. O enfoque foi sobre o trabalho realizado, em grupos reflexivos, com homens autores de violência. Entre os participantes estavam integrantes da Guarda Municipal de Belo Horizonte, das Polícias Civil, Militar, Ambiental e do Corpo de Bombeiros, promotores de Justiça, servidores do Ministério Público, órgãos e entidades da rede de proteção às mulheres vítimas de violência.
Na abertura, a coordenadora do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do MPMG, procuradora de Justiça Cássia Teixeira Gontijo, reforçou que a violência contra a mulher é um problema de todos e que a prevenção de novos episódios passa também pela responsabilização dos homens, pela reeducação da sociedade e pela transformação dos padrões patriarcais.
A coordenadora do CAO-VD, promotora de Justiça Denise Guerzoni, deu início aos diálogos explicando o porquê de falar sobre masculinidades no enfrentamento à violência de gênero. “Precisamos desconstruir estereótipos que foram atribuídos aos homens, como a necessidade de ser viril e violento. Isso é um terreno fértil para a violência familiar”, frisou. Segundo ela, o evento busca a perspectiva de prevenir o feminicídio tratando o comportamento do agressor. “O responsável pela agressão precisa ser responsável também pela solução”, explicou.
Além disso, o Ciclo de Diálogos também buscou sensibilizar homens não agressores a se engajarem no combate à violência de gênero, seja denunciando casos ou auxiliando vítimas a procurarem a rede de proteção. “A construção de uma sociedade com justiça de gênero é responsabilidade de todos nós”, avaliou. Denise ainda destacou que o diálogo com homens, visando o combate ao feminicídio, é uma ação pioneira e estratégica que está incluída no Plano Geral de Atuação de 2025 do MPMG, e tem abrangência em todo o Estado.

O Painel Central do evento “Grupos reflexivos com homens autores de violência: fundamentos, desafios e resultados” foi ministrado pelo diretor do Instituto Casa da Palavra, Yan Ribeiro Ballesteros. Ele relatou as metodologias utilizadas nos grupos com homens, que são feitos desde 2022. Ballesteros explicou que os grupos de diálogos são capazes de mexer com as resistências dos homens agressores. De acordo com ele, um mapeamento realizado no Estado de Santa Catarina revelou haver apenas 5% de reincidência criminal entre os homens que participam desses grupos reflexivos.
Para o diretor do Instituto Casa da Palavra, a masculinidade tóxica se pauta pela crença de que homens nascem violentos e pela rejeição de tudo o que é feminino, com rebaixamento do outro. “É a matriz da misoginia, da homofobia, do preconceito”, comentou.
O Painel foi seguido pelo “Relato de Experiência: A prática de grupos reflexivos em contexto institucional ou comunitário”, comandado por Alfredo Salvo Moreira Rabelo, também do Instituto Casa da Palavra. Os dois painéis foram mediados pela promotora de Justiça do MPMG Larissa Oliveira do Prado Souza, que atua na comarca de Rio Pardo de Minas, na região Norte do Estado. Durante a o debate, Larissa discorreu sobre como é, na prática, o trabalho de atendimento às mulheres vítimas de violência no interior do Estado.

