Notícias - Direitos HumanosLançado nesta quinta-feira, videocast “Sobre Tons” é resultado do compromisso coletivo com a justiça racial, afirma promotora Nádia Estela
Episódios abordam direito à prática das religiões de matriz africana, direito à terra quilombola, cinema negro, arte e ensino de história afro-brasileira, patrimônio imaterial e cultura negra, cultura negra LGBT+, tentativas de censura à expressividade negra, literatura negra e direito e medidas afirmativas. Entre os participantes, estão promotores de Justiça, artistas, comunicadores e ativistas.
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e a Fundação Clóvis Salgado (FCS) lançaram, na noite desta quinta-feira, 28 de agosto, o videocast “Sobre Tons”, fruto do programa antirracista homônimo do MPMG. O evento de lançamento, realizado na Sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, contou com a presença de autoridades das duas instituições, com falas dos participantes e uma apresentação do artista Sérgio Pererê, um dos convidados do videocast.

Esta é a segunda temporada do “Sobre Tons”, com nove episódios que dão visibilidade à luta antirracista por meio do diálogo entre o direito e a cultura. A primeira temporada, em formato de podcast, foi lançada no ano passado e conquistou o primeiro lugar na categoria “Podcast e Rádio” do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2025, promovido pelo Fórum Nacional de Comunicação e Justiça (FNCJ).
Na abertura do evento, que foi conduzido pela jornalista Sandra Flávia Nadaka, apresentadora do videocast, a coordenadora de Combate ao Racismo e Todas as Outras Formas de Discriminação do Ministério Público (Ccrad), promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, destacou a relevância do programa para a sociedade. “Em um contexto de recrudescimento de discursos de ódio e intolerância, torna-se urgente ampliar e qualificar o debate público sobre o racismo, e essa nova temporada cumpre esse papel com maestria”, disse.

Conforme Nádia, ao reunir vozes potentes de diferentes áreas, o videocast desvela as raízes históricas e estruturais do racismo e apontam caminhos possíveis para sua superação. “O resultado que celebramos hoje é fruto de pesquisa rigorosa, de diálogo constante e, sobretudo, de um compromisso coletivo com a justiça racial”, frisou.
Ela ainda comentou sobre a importância da parceria firmada com a FCS. “Essa colaboração reafirma a convicção de que o enfrentamento ao racismo e a promoção dos direitos humanos não se limitam ao campo jurídico, mas exigem transformação social construída de forma transversal, em diálogo permanente entre o direito, a educação, a arte e a cultura”.

A chefe de Gabinete da FCS, Kátia Marília Silveira Carneiro, também celebrou o lançamento. "É um momento de muita alegria para a Fundação. Estamos fazendo mais uma entrega potente dentro do programa Sobre Tons, em consonância com o programa Palácio para todos. O material foi feito com muita dedicação, com aquilo que a gente sabe fazer de melhor”, declarou.
Kátia ainda comentou sobre os esforços empreendidos desde março pelas equipes das duas instituições responsáveis pelo videocast. “Não foi uma tarefa fácil, tanto pelo cuidado e pela responsabilidade que tivemos para abordar cada tema, quanto pelos desafios técnicos que se impuseram ao longo do processo. Mas todo esforço valeu muito a pena”.
Equidade racial
Um dos entrevistados do videocast, o artista Sérgio Pererê elogiou os esforços do MPMG no enfrentamento ao racismo. “Estamos vivendo um momento muito novo. Se fizemos um cálculo, entenderemos que o tempo de escravidão do nosso povo neste país é muito maior do que o tempo dessa busca pela equalidade social e racial. Uma ação dessas, partindo do Ministério Público, é algo grandioso, necessário e ao mesmo tempo é, de fato, o que o Ministério Público tem que fazer, cumprindo a sua função”, observou.

Na opinião dele, iniciativas como essa representam uma conquista para a sociedade. “Que seja mais uma conquista entre muitas outras que têm que vir por aí. É muito especial para mim poder fazer parte dessa história junto com várias pessoas incríveis”, disse.
A apresentadora Sandra Flávia chamou a atenção para o potencial transformador do audiovisual no contexto do racismo. “O nosso povo preto, que foi invisibilizado durante tanto tempo, precisa sim ter destaque. Eu acho que essa é uma oportunidade incrível da gente expandir as nossas pautas e conscientizar pelo audiovisual. Para mim, foi um presente participar desse videocast”, declarou.

Por sua vez, a promotora de Justiça Marianna Michieletto, também participante do programa, comentou sobre o orgulho de integrar o MPMG. “Fazer parte de uma instituição que prestigia em primeiro plano e já há alguns anos esse tipo de ação é sensacional. O Ministério público cumpre a sua função colocando o combate ao racismo como uma verdadeira política institucional, de forma prioritária”.
Conforme Marianna, o direito precisa se reinventar e estabelecer parcerias com outras áreas é um caminho necessário. “Quanto mais a gente busca parceiros em locais diferentes, maior fica a nossa voz. Este videocast cumpre esse papel, de amplificar a nossa voz e aumentar o alcance do programa Sobre Tons”, apontou.
Integrante da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o músico Aldo Bibiano também comentou sobre a alegria de poder compartilhar um pouco da sua trajetória no videocast. “Eu falo que eu sou o único tubista no país inteiro de origem quilombola, que toca numa orquestra profissional. E ter essa possibilidade de trazer para as pessoas um pouco desse universo, amparado por um órgão que tem o poder de nos defender, se torna ainda mais grandioso. Espero que esses tons se multipliquem pelos ares de nossas Minas Gerais", expôs.
O videocast
Viabilizado pelo Sobre Tons, por meio do Fundo Especial do Ministério Público de Minas Gerais (Funemp), o videocast foi produzido pelas Assessorias de Comunicação Social da FCS e do MPMG. A direção é de Luciana de Paula e o roteiro de Lucas Oliveira, Romina Farcae e Regyane Bittencourt (estagiária).
O programa é apresentado pela jornalista Sandra Flávia Nandaka, e cada episódio traz uma conversa entre uma pessoa da sociedade civil (artista, comunicador, ativista) e um(a) representante do MPMG. Os temas são: “Direito à prática das religiões de matriz africana”, “Direito à terra quilombola”, “Cinema negro”, “Arte como ferramenta de ensino de história afro-brasileira”, “Patrimônio imaterial e cultura negra”, “Cultura negra LGBT+”, “Tentativas de censura à expressividade negra”, “Literatura negra e direito” e “Medidas afirmativas”.
Nesta segunda temporada, os programas, de cerca de meia hora cada, começam com uma pergunta provocativa feita por estudantes ou professores do Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado (Cefart). Logo após, o tema e os convidados são apresentados, e as primeiras questões trazem uma contextualização; depois, uma nova rodada de perguntas instiga os/as convidados/as a pensar caminhos possíveis para resolução, destacando a arte como potência e a dimensão sensível da cultura negra, além de leis, serviço de utilidade pública e dicas culturais. Cada episódio termina com uma provocação, adiantando o tema do próximo programa.
Participam da temporada os(as) promotores(as) de Justiça Ana Gabriela Brito, Paulo César Vicente de Lima, Nívia Mônica da Silva, Marianna Michieletto da Silva, Caio César do Nascimento, Lucas Quaresma, Vânia Samira Doro, Evandro Ventura e Rômulo Cheguevara Gandhi Costa Pereira; a jornalista e professora Makota Celinha; o músico Aldo Bibiano, da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais; a crítica de cinema e pesquisadora Yasmine Evaristo; a atriz, diretora e professora da Escola de Teatro do Centro de Formação Artística e Tecnológica da Fundação Clóvis Salgado (Cefart), Renata Paz; o fotógrafo Eustáquio Neves; a analista Steffane Santos, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG); a bailarina e professora Nadja Kai Kai; o músico Sérgio Pererê; a escritora e professora Madu Costa; e a professora e escritora Luana Tolentino.
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