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Reunião marca o início do Gerenciamento de Áreas Contaminadas, etapa inédita da reparação ambiental após o rompimento da Barragem de Fundão

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O Comitê Estadual de Minas Gerais (Cemg) se reuniu nesta quinta-feira, 2 de julho, no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), em Belo Horizonte, para iniciar a execução do Gerenciamento de Áreas Contaminadas (GAC) no Estado, no âmbito do Acordo de Reparação do Rio Doce. 

Na ocasião, foi apresentada oficialmente ao Cemg a empresa WSP, contratada para executar os estudos técnicos voltados à identificação da eventual presença de substâncias químicas em áreas impactadas pelo rompimento da Barragem de Fundão, ocorrido em 2015. Os trabalhos também deverão subsidiar, quando necessário, a definição de medidas de remediação ambiental. 

Segundo a coordenadora do Grupo de Gestão de Áreas Contaminadas da WSP, Andréia Garcia, o trabalho vai ser desenvolvido em várias etapas, que se iniciam com a avaliação dos locais atingidos pelo derramamento de lama até um possível plano de intervenção. “Vamos identificar áreas potencialmente contaminadas e, ao final do trabalho, se necessário, elaborar um projeto de remediação”, afirmou.  

O trabalho vai ser desenvolvido em quatro áreas, na extensão do Rio Doce. Elas estão localizadas em Paracatu de Baixo, Barra Longa, Governador Valadares e no reservatório de Aimorés. Segundo Andréia Garcia, a avaliação das áreas vai ser realizada por equipe multidisciplinar formada pelo prórprio corpo técnico da empresa, por consultores externos, universidades e laboratórios. O trabalho pode durar cinco anos ou mais. 

Participaram da reunião representantes do Cemg, do órgão ambiental estadual, da Samarco, da auditoria independente Aecom e da empresa WSP. O encontro teve como principais objetivos apresentar a equipe técnica responsável pela execução dos estudos, alinhar as atribuições das instituições envolvidas e discutir o cronograma preliminar das atividades. 

Para os participantes da reunião, o início do GAC representa um avanço importante na implementação do Acordo de Reparação do Rio Doce, por viabilizar, pela primeira vez desde o rompimento da Barragem de Fundão, a realização de estudos específicos voltados à investigação da eventual contaminação das áreas atingidas. Essa etapa é considerada essencial para orientar, com base técnica, as ações de reparação ambiental. 

Para o procurador de Justiça Leonardo Castro Maia, representante do MPMG no comitê, a possibilidade de contaminação das áreas é um tema que aflige os atingidos pelo desastre. “O início dos trabalhos de avaliação é essencial dentro de uma perspectiva de reparação”. Segundo Maia, é fundamental saber se essas áreas foram contaminadas e como podem ser recuperadas caso tenham sido atingidas. 

“Existe uma grande discussão em relação ao que acontece com essas áreas, inclusive ao longo do tempo. E de que forma podem ser recuperadas. Pois, eventualmente, o trabalho de recuperação também pode causar vários impactos. Então é necessário saber como proceder área a área, uma vez que não existe solução única para toda a bacia. E os estudos técnicos ajudarão nisso”, disse Maia.  

Nos termos do Anexo 16 do Acordo de Reparação do Rio Doce, a contratação e o custeio da empresa responsável pela execução do Gerenciamento de Áreas Contaminadas são obrigações das empresas compromissárias Samarco, Vale e BHP. 

Em cumprimento ao Acordo, o Cemg elaborou o Termo de Referência que estabeleceu as diretrizes e os requisitos técnicos para a contratação da empresa responsável pela execução do GAC em Minas Gerais. Com base nesse documento, a Samarco iniciou o processo concorrencial em novembro de 2025. 

Após a análise das propostas técnicas e comerciais apresentadas, o Cemg vetou aquelas que não atendiam aos critérios definidos no Acordo e no Termo de Referência. Na sequência, a Samarco deu prosseguimento ao processo com as empresas remanescentes, culminando na contratação da WSP, em junho de 2026. 

Atualmente, a empresa encontra-se em fase de mobilização para o início das atividades, que deverão contribuir para o avanço da reparação ambiental na Bacia do Rio Doce em Minas Gerais. 

Participantes  

Além do Grupo de Gestão de Áreas Contaminadas da WSP, participaram da reunião a promotora de Justiça Shirley Machado de Oliveira, o procurador da República Eduardo Henrique de Almeida Aguiar, o defensor Público Bráulio Santos Rabelo de Araújo e os representantes do Governo de Minas Thaís Cristina Lopes de Araújo Vilas Boas, Ana Cláudia Machado Botelho Lutfy e Renato Teixeira Brandão, entre outros interessados no tema.  

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Ministério Público de Minas Gerais

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