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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou, no episódio 140 do programa Ponta a Ponta, o projeto “Equidade de Gênero: Homens em Perspectiva”, voltado à prevenção da violência doméstica por meio da responsabilização de autores de agressão. Segundo a promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD), Denise Guerzoni Coelho, a iniciativa parte da compreensão de que “a intervenção precisa ser estrutural”. Ou seja, não basta apenas acolher as vítimas, sendo necessário também atuar nas causas da violência, envolvendo os homens nesse processo. 
 
De acordo com a promotora, o projeto tem respaldo na Lei Maria da Penha e em outras normas, que preveem a criação de grupos reflexivos como medida protetiva. Segundo Denise, esses espaços são fundamentais para promover mudanças de comportamento: “é preciso enfrentar a violência em todos os seus vieses, inclusive os culturais, ainda marcados por estruturas patriarcais e machistas”. 
 
O diretor do Instituto Casa da Palavra, Yan Ribeiro Ballesteros, destacou que a proposta não tem caráter punitivo, mas reflexivo e responsabilizante. Segundo ele, “colocar os homens em perspectiva significa analisar, cuidar e responsabilizar esses homens”, permitindo que compreendam os fatores que os levaram à violência. Ele reforçou que os encontros seguem metodologia estruturada, com foco no autoconhecimento e na mudança de postura. 
 
Ainda segundo Yan, os participantes chegam, em geral, com resistência e sentimento de injustiça, mas ao longo dos encontros passam a reconhecer seus comportamentos e suas consequências. “Eles têm a oportunidade de entender que a violência vai além da agressão física e envolve diversas formas de violação”, explicou. A expectativa, conforme ressaltado pelos entrevistados, é reduzir a reincidência e promover relações mais equilibradas. 
 
Ao final, Denise destacou a importância de expandir o projeto para todo o estado, especialmente em municípios do interior. Segundo a promotora, “é preciso que os promotores acreditem nesse equipamento como instrumento de proteção à mulher”, reforçando que a iniciativa integra uma rede mais ampla de enfrentamento à violência e busca construir uma sociedade mais igualitária. 

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Ministério Público de Minas Gerais

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