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A escultura em madeira de Santo Elesbão foi formalmente entregue em cerimônia realizada na catedral da cidade e seguiu em cortejo até o Museu Regional do Sul de Minas

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) promoveu na tarde dessa terça-feira, 30 de setembro, a devolução de uma peça sacra que havia sido furtada do Museu Regional do Sul de Minas, em Campanha, há mais de 30 anos. Datada do século XVIII, a escultura de Santo Elesbão, de autoria não identificada, é talhada em madeira, com cerca de 45 centímetros de altura.

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A entrega da peça foi feita em uma cerimônia na Catedral de Santo Antônio, na presença de autoridades locais e da comunidade de Campanha. Após a entrega formal da escultura, foi realizada uma missa e um cortejo, com a participação do Congado local, até o Museu Regional do Sul de Minas.

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A região de Campanha contou com quase sete mil escravizados de origem africana e mantem viva a tradição das Congadas, reconhecida como patrimônio cultural imaterial do município e associada à organização da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, à edificação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e à adoração dos santos negros, como Santo Elesbão, São Benedito e Santa Efigênia.

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De acordo com o setor técnico da Coordenadoria das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais (CPPC) do MPMG, documentos produzidos, antes do furto, pela Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais (Superintendência de Museus) e pela Prefeitura de Campanha (Museu Regional do Sul de Minas), demonstram que é anterior ao extravio a ausência das duas mãos e de parte do antebraço esquerdo, bem como do resplendor que compunha a peça.

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O coordenador da CPPC, promotor de Justiça Marcelo Azevedo Maffra, foi representado pela historiadora e restauradora Paula Carolina Miranda Novais.

Identificação e recuperação da peça sacra

No dia 7 de março de 1994, 28 peças sacras foram furtadas do Museu Regional do Sul de Minas, em Campanha. O local abriga relevante conjunto de bens culturais móveis, entre imagens, oratórios e cálices, com datações dos séculos XVIII e XIX. Das 28 peças subtraídas, quatro já haviam sido recuperadas: imagem de Santa Cecília, em 1998; imagem de Santa Bárbara, em 2003; de São Vicente Férrer, em 2004; e de Nossa Senhora da Apresentação, em 2021. A imagem de Santo Elesbão será a quinta e ser restituída.

Segundo a CPPC, as primeiras informações sobre a localização da peça chegaram em 2024, durante a realização do projeto Sondar para Todos, no município de Campanha. A localização da imagem resultou de um trabalho de pesquisa de alunos da disciplina de História da Arte na Comunidade Propedêutica São Pio X, vinculado ao curso de formação de sacerdotes da Diocese da Campanha.

Para comprovar a informação, foi elaborado dossiê relacionando a imagem desaparecida com a localizada, e a Prefeitura Municipal de Campanha, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte, Turismo e Lazer, encaminhou laudo e ofício, assinado em conjunto com o bispo diocesano de Campanha, requerendo a restituição da imagem de Santo Elesbão.

Com as informações enviadas pela comunidade e as constantes na plataforma Sondar, a equipe técnica da CPPC analisou minuciosamente os aspectos da imagem de Santo Elesbão, concluindo que a peça localizada era a mesma furtada do museu de Campanha. Foi realizado então amplo diálogo com a instituição detentora do bem, a qual se mostrou colaborativa e acessível em todas as tratativas. Por fim, a peça foi resgatada pelo setor técnico da CPPC.

Solenidade de entrega da imagem de São Elesbão à comunidade de Campanha/MG 30.10.25

Sondar

Desenvolvido pelo MPMG em parceria com a UFMG, o Sondar é uma ferramenta colaborativa que reúne bancos de dados de bens culturais desaparecidos no estado em uma única plataforma e disponibiliza informações sobre bens resgatados e restituídos. O sistema oferece recursos que permitem a contribuição ativa das comunidades e que possibilitam: adicionar novas informações sobre os bens cadastrados; solicitar a inserção de bens desaparecidos em sua cidade; informar sobre a localização de um bem desaparecido; realizar a restituição voluntária de um objeto de valor cultural, além de denunciar vendas ilegais ou suspeitas. A proposta do Sondar é intensificar a participação das comunidades na preservação na defesa do patrimônio cultural de Minas Gerais.

Para acessar o Sondar, clique aqui.

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Ministério Público de Minas Gerais

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