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O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte, obteve na Justiça a condenação de um influenciador digital a 23 anos e quatro meses de prisão pelo latrocínio de uma mulher trans, ocorrido em 23 de junho de 2024. No julgamento que terminou no dia 15 de setembro, ele também foi condenado ao pagamento de multa. Na decisão, a 11ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte determinou ainda que a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado e manteve a prisão do réu, preso preventivamente desde dezembro de 2024.

Segundo a denúncia oferecida pelo MPMG, durante a madrugada de 23 de junho de 2024, o acusado matou a vítima para subtrair bens de luxo como um carro, roupas, joias, cosméticos, perfumes, óculos, bolsas importadas, aparelho de televisão, notebook, bebidas destiladas, caixa de som, aparelho celular, além de cartões bancários e documentos pessoais. O crime chocou a comunidade porque a vítima era uma pessoa muito querida por amigos, vizinhos e familiares e porque o acusado passou a ostentar os bens roubados - pessoalmente e em redes sociais - para conseguir destaque e engajamento.

Como foi ressaltado pelo promotor de Justiça Mauro Ellovitch nas alegações finais do processo, o homem cometeu o crime instigado por dois fatores. Um deles, a busca pela superexposição de uma vida glamurosa nas redes sociais. "Ao chegar na residência da vítima, viu o bom carro, as joias, as bebidas caras, as televisões tecnológicas e decidiu tê-las para si a qualquer custo. Cometer crimes patrimoniais não era uma situação estranha ao acusado, uma vez que já foi preso pela prática de outro crime de roubo. Todavia, na data do crime, aceitou até mesmo agredir e matar a mulher, que ele já conhecia, para poder ostentar o carro e o dinheiro dela em suas redes sociais e tornar-se mais atraente para seus seguidores".

Além disso, contava com a ideia de invisibilidade trans. "O acusado supôs que ninguém daria falta tão cedo de uma mulher trans que passava parte do ano na Europa. Achava que a polícia não daria tanta importância para investigar a morte violenta de mais uma pessoa LGBT+, que o crime seria atribuído a algum amante descontente. Ele nem se deu ao trabalho de ocultar o corpo, deixando-o coberto com uma indigna manta, no mesmo lugar onde a havia matado".

No entanto, segundo o promotor de Justiça, "o caso em foco mostra que estava errado e que os tempos estão mudando. A ostentação nas redes sociais se tornou uma prova contra ele. Todas as testemunhas que conheciam a vítima falaram do quanto ela era querida e se preocuparam rapidamente com sua ausência, fazendo com que o criminoso fosse identificado muito antes do que esperava. A investigação policial foi precisa e muito bem-feita. Os parentes da vítima compareceram a todas as audiências, ansiosos para ver a Justiça ser feita. Agora, o réu recebe a pena que lhe é cabível pelo cruel latrocínio que cometeu, mostrando para a sociedade que todas as vidas importam igualmente".

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Ministério Público de Minas Gerais

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