Notícias - Crime CibernéticoOperação Dramaturgia do Medo: MPMG apura esquema de extorsão praticado por redes sociais e aplicativos de mensagens
Apuração teve início em Carmo do Rio Claro e identificou vítimas em diversos estados. Mandados de prisão e de busca e apreensão foram cumpridos no Rio Grande do Sul
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria de Justiça de Carmo do Rio Claro e do Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber), deflagrou, com o apoio das Diretorias de Inteligência da Polícia Militar e da Polícia Civil de Minas Gerais, do Gaeco-MPRS, da PMRS, da Receita Estadual/RS e da Polícia Rodoviária Federal, nestas terça e quinta-feiras, 3 e 5 de março, em duas fases, a operação Dramaturgia do Medo, com o objetivo de apurar crimes de extorsão cometidos por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, com uso de perfis falsos e de falsas autoridades públicas para coagir vítimas a realizar depósitos bancários.

Na terça-feira, na primeira fase da Operação, foi localizado e preso um dos investigados quando trafegava no município de Camaquã/RS, ocasião em que foi apreendido um aparelho de telefonia celular.
Na segunda fase, realizada nesta quinta-feira, foram cumpridos um mandado de prisão preventiva e mandados de busca e apreensão em endereços de quatro investigados, nas cidades gaúchas de Triunfo, Sapucaia do Sul, Eldorado do Sul e Guaíba. Foram apreendidos quatro celulares e documentos, que serão posteriormente analisados.

Entenda o caso
A Promotoria de Justiça de Carmo do Rio Claro, no Sul de Minas, instaurou Procedimento Investigatório Criminal para apurar crimes de extorsão (art. 158 do Código Penal) cometidos por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, com uso de perfis falsos e de falsas autoridades públicas para coagir vítimas a realizar depósitos bancários.
As apurações tiveram início após o comparecimento de uma vítima que relatou ter sido alvo de ameaças e de exigências de pagamentos mediante intimidação, após contatos com uma mulher iniciado em rede social, que evoluíram para a troca de mensagens de cunho sexual.
A vítima passou a receber mensagens de supostos familiares que diziam que ela estava trocando mensagens com uma adolescente e, portanto, cometendo crime. Na sequência, também foi abordada por supostos agentes públicos (delegados e promotores) que exigiam valores para evitar a comunicação dos crimes às autoridades.

Com o andamento das apurações, foram identificadas outras duas vítimas do mesmo grupo criminoso, uma também de Carmo do Rio Claro e, a outra, de Ipatinga, além de possíveis outras 12 vítimas dos estados de São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Roraima. Em um dos casos, houve depósito inicial de R$ 4 mil e, posteriormente, nova exigência da quantia de R$ 30 mil, que não chegou a ser paga. No outro, a exigência chegou a R$ 8 mil, não atendida pela vítima, que procurou o Ministério Público. Há indicativos, ainda, de que, em apenas um mês, os suspeitos transferiram entre si mais de R$ 153 mil reais provenientes de crimes.
Diante dos elementos apresentados, o promotor de Justiça, com apoio do Gaeciber, promoveu a preservação de contas de aplicativos de mensagens e das redes sociais envolvidas, bem como diligências de investigação cibernética e quebra de sigilo de dados e bancário.

No âmbito financeiro, as apurações indicaram que alguns dos suspeitos seriam titulares de diversas contas bancárias em múltiplas instituições, característica recorrente em esquemas ilícitos para dispersão de valores.
De acordo com o coordenador do Gaeciber, promotor de Justiça André Salles Dias Pinto, os elementos reunidos apontam indícios de organização criminosa de alcance nacional, valendo-se de perfis falsos e da falsa identidade de agentes públicos para constranger vítimas a realizar pagamentos.

