Notícias - InstitucionalMPMG participa de evento da OAB-MG em homenagem ao Dia Internacional da Mulher
Encontro reuniu, em Belo Horizonte, instituições e sociedade civil para debater estratégias de enfrentamento à violência de gênero
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) participou de um evento organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Minas Gerais, que integrou as ações alusivas ao “Dia Internacional da Mulher”. Intitulado “No Ápice da Luta, Celebramos a Força, a Resistência e a Vida de Todas as Mulheres” o evento reuniu representantes de instituições públicas, do sistema de Justiça e da sociedade civil para debater o enfrentamento à violência de gênero no dia 6 de março, na Casa Pampulha, em Belo Horizonte.

Durante a cerimônia, o MPMG recebeu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no combate à violência contra a mulher, especialmente pela articulação interinstitucional conduzida pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD). Também foi destacada a atuação do MPMG na promoção da campanha “Alerta Lilás: a saúde da mulher como prevenção ao feminicídio”, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção e ampliar a identificação precoce de situações de risco nos serviços de saúde.
De acordo com a promotora de Justiça e coordenadora do CAO-VD, Denise Guerzoni, o encontro representou um espaço importante de diálogo e construção coletiva. “Nos reunimos não apenas para trocar experiências, mas também para construir soluções que ajudem a mudar os indicadores alarmantes de violência em todo o país. A intenção é levar uma mensagem de esperança por um futuro em que os serviços destinados às vítimas não apenas existam, mas sejam realmente acessíveis”.

Mediado pela jornalista Rachel Sheherazade, o encontro reuniu especialistas e ativistas para discutir as múltiplas dimensões da violência de gênero e os desafios para sua prevenção. Foram apresentados dados sobre a gravidade do problema, destacando que, no Brasil, mulheres continuam sendo assassinadas diariamente em razão de sua condição de gênero.
A mediadora ressaltou que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma trajetória marcada por diferentes formas de violência, como ameaças e agressões físicas e psicológicas, muitas vezes invisibilizadas no ambiente doméstico.
Ao longo do debate, as convidadas abordaram diferentes aspectos do tema. Foram discutidos os impactos dos primeiros episódios de assédio e violência, a relação entre dependência econômica e vulnerabilidade feminina e os desafios enfrentados pelas vítimas diante da morosidade do sistema de justiça.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, refletiu sobre a responsabilidade coletiva da sociedade no enfrentamento à violência de gênero, além de comentar as raízes históricas desse fenômeno. “Muitas vezes se espera que as mudanças partam apenas do poder público, mas é a sociedade que impulsiona as transformações. Por isso, homens e mulheres precisam se envolver nessa luta histórica. Não se trata de cultura, mas de falta de educação e orientação, ligada também a um passado marcado por séculos de violência e desigualdade, que ainda se reflete em problemas graves como o feminicídio”.
Também foram debatidos caminhos para conter o avanço dos casos de feminicídio, como o fortalecimento das redes de apoio, a ampliação da mobilização social e a implementação de políticas públicas mais eficazes.

A deputada federal Duda Salabert chamou atenção para a vulnerabilidade de mulheres trans e travestis no contexto da violência de gênero.
Segundo a parlamentar, é necessário reconhecer que a sociedade ainda é marcada pelo machismo e pela misoginia: um problema que não diz respeito apenas às mulheres, mas a toda a sociedade. Ela ressaltou que o enfrentamento dessa realidade exige engajamento coletivo e uma mobilização conjunta do Legislativo, do Executivo e do sistema de Justiça para a construção de uma sociedade mais segura para as mulheres.
Precisa denunciar?
Disque 127, um canal gratuito e sigiloso do MPMG para receber denúncias e orientações.
Clique aqui e acesse o Manual de Atuação no Combate ao Feminicídio.
