Notícias - Crime CibernéticoMPMG e Polícia Civil deflagram operação Martelo Virtual III contra fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro
Nesta quinta-feira, 26 de março, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Frutal, e a Polícia Civil de Minas Gerais, com apoio da Polícia Civil de São Paulo, deflagraram a operação Martelo Virtual III, com o objetivo de desarticular organização criminosa especializada em crimes cibernéticos, especialmente o chamado “golpe do falso leilão”, além de lavagem de dinheiro e possível sonegação tributária.

As investigações tiveram início em 2023, pela Delegacia de Polícia Civil em Frutal, no Triângulo Mineiro, e apontaram que o grupo atuava de forma estruturada a partir de cidades dos estados de São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Apurações financeiras indicam que, apenas nos últimos cinco anos, a organização movimentou aproximadamente R$ 520 milhões, considerando créditos e débitos identificados após quebras de sigilo bancário e fiscal.
O golpe consistia na criação e operação de sites fraudulentos que simulavam plataformas legítimas de leilões de veículos. As vítimas, após suposta arrematação, eram induzidas a realizar pagamentos via Pix para contas de terceiros vinculadas ao grupo criminoso. Estima-se que mais de 250 pessoas tenham sido vítimas apenas no último ano, em diferentes regiões do país.
Nesta terceira fase da operação, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. Durante as diligências, foram apreendidos celulares, documentos, veículos e outros bens, que passarão por análise técnica para aprofundamento das investigações.

Balanço geral da operação
Considerando as três fases da operação Martelo Virtual, foram investigadas 56 pessoas, com a expedição de 36 mandados de prisão preventiva e 77 de busca e apreensão, além da identificação de mais de 30 pessoas jurídicas utilizadas para lavagem de dinheiro. A Justiça autorizou bloqueios patrimoniais de até R$ 260 milhões, dos quais aproximadamente R$ 40,9 milhões já foram efetivamente bloqueados, entre valores em contas bancárias, imóveis, veículos e motos aquáticas.
No curso das investigações da terceira fase, também foram identificados investigados com possíveis vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e com alvos da operação Carbono Oculto. As apurações seguem em andamento para identificação de outros envolvidos e aprofundamento da análise patrimonial.
Denúncia oferecida
Em relação a fase anterior da operação Martelo Virtual, o MPMG, por meio da 4ª Promotoria de Justiça de Frutal, ofereceu denúncia contra integrantes de organização criminosa investigada, imputando-lhes a prática dos crimes de organização criminosa, estelionato na modalidade de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
Conforme a peça acusatória, os denunciados atuaram de forma estruturada e permanente entre os anos de 2021 e 2025, em diversos estados, utilizando plataformas digitais fraudulentas para simular leilões de veículos e induzir vítimas a realizar transferências bancárias sem a entrega dos bens anunciados.
A denúncia descreve, ainda, um esquema sofisticado de lavagem de capitais, com emprego de contas bancárias de terceiros, empresas de fachada e sucessivo fracionamento de transações financeiras, com o objetivo de ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos.
Segundo o MPMG, os valores provenientes dos golpes eram reinseridos na economia formal por meio da aquisição de veículos e imóveis incompatíveis com a renda declarada dos investigados. A ação penal representa desdobramento direto das investigações conduzidas pela Polícia Civil e reforça a atuação integrada das instituições no enfrentamento aos crimes cibernéticos e à criminalidade financeira organizada.
Com informações e imagens da Polícia Civil de Minas Gerais.
