Notícias - Crime OrganizadoGrupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do MPMG divulga balanço das ações de 2025
"Forças de segurança pública têm percebido que a integração entre elas, sobretudo com o compartilhamento de informações, troca de expertises e operações conjuntas, é absolutamente fundamental para o sucesso no enfrentamento à criminalidade", diz coordenador do Gaeco

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), divulgou nesta quarta-feira, 11 de março, um balanço referente ao ano de 2025. O relatório abrange atividades do Gaeco em Belo Horizonte e nas 12 regionais que contemplam Minas Gerais. Entre os números divulgados destacam-se 109 operações, 1.028 prisões, a extração de dados digitais de 2.768 dispositivos (celulares, notebooks, HDs entre outros) e mais de R$ 30 milhões em bens bloqueados/apreendidos devido à atuação do Gaeco no combate à criminalidade.

Ações realizadas pela sede do Gaeco
Atuação ativa nos Grupos de Intervenção Estratégica (GIE-Vida e GIE-Roubos), com efeitos positivos na redução de homicídios e roubos em diversas cidades mineiras. Foram produzidos 647 relatórios e realizadas 73 reuniões (21 na capital e 52 no interior). Formalização de 136 intervenções no GIE-Vida até julho/2025.
O Serviço de Análise e Estatística (SAE) realizou 136 pesquisas e 268 consultas via Sistema Integrado de Operações (Siiop), apoiando investigações e monitorando 48 ações penais e 55 pessoas (com sete monitoramentos ativos).
O Laboratório de Extração Forense recebeu 35 solicitações, processando 375 itens, com aumento significativo de demanda.

Procedimentos e apoios
Foram instaurados 139 procedimentos extrajudiciais em 2025, sendo que, atualmente, há 225 em andamento. Oito denúncias foram oferecidas e firmados oito acordos. Além disso, o Gaeco recebeu 115 solicitações de apoio. Entre os apoios deferidos: 22 atividades de forense digital, 22 pesquisas, 15 Relatórios de Conhecimento (diligência que sempre antecede o cumprimento de um mandado de busca e apreensão e prisão, destinada a confirmação do endereço do alvo), 31 apoios operacionais, sete mandados de busca e apreensão e quatro auxílios na elaboração de peças.
Atividades de capacitação
Em 2025 o Gaeco realizou o Encontro Estadual do Gaeco, no mês de março, com palestras sobre investigação financeira, vestígios digitais, infiltração virtual e uso de softwares investigativos. Foram realizadas ainda reuniões de trabalho com palestras sobre violência extrema no futebol, confisco alargado e atualização normativa. Em setembro realizou o Encontro da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC), com temas como lavagem de dinheiro e gestão de ativos. Em novembro, promoveu a segunda reunião de trabalho com exposições sobre standards interamericanos e uso de IA em investigações. O Gaeco participou também da LAAD 2025 (feira sobre inovação, tecnologia e soberania) e no “Forensics Meeting”, voltados para investigação digital e tecnologia forense.
Desafios
Segundo o promotor de Justiça Giovani Avelar Vieira, coordenador do Gaeco, os desafios no enfrentamento à criminalidade organizada são muitos e a extensão territorial de Minas Gerais, 586.528 km², é um deles. “Além da vastidão territorial, o que o coloca em dimensões próximo à França, que tem pouco mais de 632 mil km², Minas Gerais faz divisas com diversos estados brasileiros, o que acaba, em alguma medida, por facilitar a propagação de organizações criminosas vindas de outros estados”.
Para o promotor de Justiça, reconhecido que o problema existe e que as organizações criminosas encontram-se presentes em todo o território brasileiro, “as forças de segurança pública têm percebido que a integração entre elas, sobretudo com o compartilhamento de informações, troca de expertises e operações conjuntas, é absolutamente fundamental para o sucesso nesse enfrentamento. Isso permitirá a retomada de porções territoriais que o estado brasileiro perdeu parcial ou totalmente o controle”.

Uso de IA pelas organizações criminosas
Sobre o uso da Inteligência Artificial pelas organizações criminosas, o coordenador do Gaeco diz estar preocupado, sobretudo “porque esses grupos criminosos não observam qualquer limite ou regra na sua utilização”.
De acordo com Giovani, é fundamental que o Gaeco mantenha-se atualizado tecnologicamente, dispondo do arsenal mais novo e poderoso para enfrentar os novos e mais modernos modos de práticas de delitos por organizações criminosas. “Isso permite a efetividade da quebra do sigilo telemático e a compreensão das engrenagens criminosas, notadamente no que diz respeito à lavagens de bens, valores e capitais, e, ainda, tecnicamente, de modo a estar atualizado com as soluções tecnológicas mais recentes e com constantes mudanças e evoluções legislativas e na interpretação das disposições legais e constitucionais”.
Melhorias
A Central de Custódia do Gaeco foi implantada, passando a atender a demanda de toda a UCC. De acordo com o Gaeco, é um espaço próprio, adequado e seguro para o armazenamento dos vestígios e evidências apreendidos em investigações e processos nos quais o MPMG atua. Ela também serve para custodiar apreensões vindas de processos criminais conduzidos por promotores de Justiça de outras áreas. “Além da Central de Custódia do Gaeco, todas as demais unidades regionais do Grupo, em número de 12, também contam com centrais de custódia para a mesma finalidade, garantindo-se absoluto respeito à cadeia de custódia”, ressalta o coordenador do Gaeco.
Já o Laboratório de Extração Forense, segundo Giovani Avelar, “a parte mais importante do trabalho do Grupo no que se refere a obtenção de provas”, teve sua estrutura ampliada, com a aquisição de equipamentos mais modernos. Também está sendo implantado um projeto de ampliação, visando a absorção da demanda de forense digital do Centro de Apoio às Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet).
O promotor de Justiça destaca que a estrutura de pessoal do Gaeco também teve um incremento. “Foram disponibilizados mais dois novos servidores, permitindo que a secretaria e o laboratório passassem a contar com três”.
Ainda de acordo com o coordenador, o Gaeco contará, em breve, com um sistema que permitirá o acompanhamento das ações penais que tiveram participação do Gaeco na fase de investigação.
“Mantemos uma atuação forte, reconhecida nacionalmente e em constante evolução. O órgão reforça a padronização, profissionalização e integração de suas atividades, apesar da crescente complexidade das investigações”, ressalta Giovani Avelar.
Exposição
O coordenador do Gaeco lembrou ainda da exposição “Atuação integrada do Gaeco/MG no enfrentamento às organizações criminosas”, realizada no MPMG, na Procuradoria-Geral de Justiça e que levou ao público toda a trajetória, desde sua criação, com histórias e transformações pelas quais o Gaeco passou, mostrando seu funcionamento e os grandes feitos do MPMG no combate ao crime organizado. Acesse a exposição virtual clicando aqui.
Sobre a atuação do Gaeco em 2025, a Rádio MP também ouviu o promotor de Justiça, Giovani Avelar.
