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Notícias

Violência Doméstica12/09/2019
Peça de teatro e roda de conversa abordam violência contra a mulher

O quadro alarmante de violência contra as mulheres na sociedade brasileira foi o tema de duas atividades promovidas na tarde desta quinta-feira, 12 de setembro, durante a Semana do Ministério Público 2019. Às 16h, o grupo de teatro Morro Encena, formado por artistas do Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, apresentou a peça Muros, no Pilotis da Procuradoria-Geral de Justiça. O espetáculo aborda a forte presença, na sociedade, da violência contra a população feminina e a banalização dos casos de feminicídio.



No palco, as atrizes – quase todas negras – encenaram situações de sofrimento vivenciadas por inúmeras mulheres diariamente no país e levaram o público a refletir sobre o que a população e as autoridades têm feito para combater o assassinato de mulheres. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país registrou 1.206 casos de feminicídio em 2018, sendo que em 61% deles as vítimas eram mulheres negras e 88,8% dos autores foram companheiros ou ex-companheiros. Minas Gerais é o estado líder no número de mulheres assassinadas. Foram 156 vítimas fatais em 2018.



Após a peça, uma roda de conversa sobre o tema foi realizada, sob a condução da coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Violência Doméstica (CAO-VD) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), promotora de Justiça Patrícia Habkouk. De acordo com Patrícia, somente em 2019, 87 mulheres já perderam a vida em razão de feminicídio no estado. A capital mineira responde por 13 desses casos. A promotora destacou que o envolvimento de toda a sociedade é fundamental no combate ao problema.

A roda de conversa contou com a presença da deputada estadual Marília Campos, da delegada Ingrid Estavan Miranda, da médica Paula Veloso Ribeiro e da psicóloga Carolina Mesquita. As explanações foram abertas pela médica Paula Veloso, que revelou ter sido vítima de violência no relacionamento por 12 anos e, para encorajar outras vítimas a deixar relações abusivas, criou a página Mulheres de Ouro no Instagram. Paula ressaltou que as mulheres que encontram-se em situação de violência não devem ser julgadas por isso, mas acolhidas. “Não podemos carregar julgamentos, machismo e senso comum no atendimento a essas mulheres. É importante lembrar que todo feminicídio já foi um ‘eu te amo’ um dia”, frisou.

Os vários tipos de violência previstos pela Lei Maria da Penha – psicológica, moral, sexual, física e patrimonial –  foram abordados pela delegada Ingrid Estavan. De acordo com ela, diferentes modalidades de violência fazem parte da rotina das mulheres, mas muitas vezes essas violações não são percebidas. “É preciso um trabalho de conscientização diário sobre o problema. Cada vez que a mulher aceita uma violência na relação, essa situação tende a se agravar, podendo chegar ao feminicídio”, afirmou. A delegada falou ainda da importância das medidas protetivas de urgência, responsáveis por salvar a vida de muitas mulheres.

A psicológica Carolina Mesquita chamou a atenção para a relevância do diálogo no atendimento a vítimas de violência doméstica. “Não podemos falar por essas mulheres. Precisamos ouvi-las. Cada uma tem uma história, e precisamos conhecê-las”.

Para a deputada Marília Campos, a luta contra o problema precisa ser encampada por homens e mulheres, para que produza efeitos.  “Precisamos lutar juntos pela igualdade e pelo direito à vida”. A deputada observou que, apesar dos avanços legislativos na proteção da mulher, o país vive um período de retrocessos nos direitos sociais e, neste contexto, segundo ela, as mulheres são as mais penalizadas. “Essa pauta precisa ser uma prioridade, para que as políticas públicas na área também sejam”, pontuou. Marília também falou da importância de se discutir gênero nas escolas, como forma de eliminar o machismo e educar meninos e meninas para relacionamentos pacíficos e igualitários.

Após as explanações, as convidadas responderam perguntas do público, formado quase exclusivamente por mulheres.


Muros - Morro Encena Grupo Teatro - 12.09.19

Documentários discutem assédio e violência na zona rural
O tema violência contra a mulher está presente de forma permanente na Semana do Ministério Público 2019. Durante todos os dias do evento, a Sala Belo Horizonte, situada no Pilotis da Procuradoria-Geral de Justiça, exibe, simultaneamente às atividades da Semana, dois documentários que abordam o assunto: Precisamos falar do assédio e Sozinhas - Histórias de mulheres que sofrem violência no campo.

O primeiro, dirigido por Paula Sachetta, é resultado de um experimento social onde uma van-estúdio parou em nove locais em São Paulo e no Rio de Janeiro para coletar depoimentos de mulheres que já foram vítima de algum tipo de assédio. Ao todo, foram 140 relatos de mulheres de 15 a 84 anos, de zonas nobres ou periferias das duas cidades, que nada têm em comum além de terem sofrido alguma violência. Já o segundo vídeo é parte de uma reportagem multimídia realizada pela jornalista Ângela Bastos, que aborda a violência contra a mulher na região rural de Santa Catarina.

Confira aqui a programação completa da Semana do Ministério Público 2019. O evento, com o tema Combate à criminalidade: diálogos, novas perspectivas e tecnologias, irá até sexta-feira.

Veja mais fotos da Semana do MP




Fotos: Eric Bezerra/MPMG

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12/09/19