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Crime Organizado21/12/2016
Operação combate organização criminosa investigada pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro em MG e ES

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do  Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) - unidades de Belo Horizonte e Governador Valadares,  deflagrou na manhã desta quarta-feira, 21 de dezembro, a operação Monte di Pietà, com o objetivo de dar cumprimento a 14 mandados de busca e apreensão e a 15 mandados de prisão preventiva expedidos, a pedido do MPMG, pelo Juízo da Vara de Inquéritos Policiais da Comarca de Belo Horizonte. A ação contou com o apoio das polícias Civil e Militar de Minas Gerais, do Gaeco do Espírito Santo e da Polícia Militar do Espírito Santo.

As ordens judiciais autorizaram a entrada em estabelecimentos comerciais e residências em cinco municípios de Minas (Belo Horizonte, Contagem, Ibirité, Itaguara, São João do Manteninha) e em dois municípios do Espírito Santo (Vila Velha e Piuma) de pessoas investigadas pelo envolvimento com organização criminosa voltada para a prática de diversos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro (Lei 9.613/1998, art. 1º), segundo análise dos elementos de prova colhidos pela equipe de promotores de justiça responsável por conduzir as investigações.

Conforme apurado, o grupo criminoso atuava, em sua maioria, contra policiais militares e militares das forças armadas da reserva e pensionistas, geralmente pessoas idosas ou portadoras de doenças graves. Os investigados atuavam ludibriando as vítimas com falsas alegações de que teriam direito a vantagens em dinheiro em virtude de ações judiciais exitosas contra entidades de previdência privada ou de seguros de vida.

Ainda de acordo com o MPMG, com uma história bem arquitetada e com a estrutura disponibilizada pela organização, os criminosos conseguiam convencer as vítimas a depositar grandes valores em dinheiro referentes a falsos honorários ou custas processuais em contas bancárias informadas pelo grupo, sob a alegação de que deveriam efetuar os pagamentos para obter a liberação do dinheiro. Os criminosos utilizavam, ainda, nomes de autoridades do alto comando da Polícia Militar para conferir mais credibilidade aos argumentos ardilosos do grupo.

Os levantamentos ainda não foram concluídos, mas as investigações apontam para a existência de mais de 500 vítimas do grupo criminoso.

Monte di Pietá
A operação contou com a participação de dois promotores de justiça, um delegado de Polícia Civil e 92 policiais militares de Minas Gerais, além de um promotor de justiça e 18 policiais militares do Espírito Santo. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde se localizava a maioria dos locais das buscas e dos membros da organização presos, a ação contou com o apoio de policiais do Batalhão Rotam.

A operação foi batizada de Monte di Pietá em alusão às instituições de caridade e sociedades privadas de ingresso voluntário surgidas no século XV,  na Itália, como forma de combater a usura. Nelas, os pobres poderiam obter uma quantidade de dinheiro e penhorar seus pertences para satisfazer suas necessidades mais básicas no futuro, tais como amparo em caso de doença, prisão, incapacidade e morte. As instituições italianas deram origem aos montepios no Brasil, entidades mais antigas de previdência social, referidas pela organização criminosa em diversas ocasiões para enganar suas vítimas.
 

Fonte: Gaeco
 


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