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Institucional27/01/2020
Diálogo aberto: o MPMG e a imprensa no caso Brumadinho

Somente neste mês, a coordenadora da força-tarefa, Andressa Lanchotti, concedeu entrevistas presenciais a 19 veículos de comunicação da América Latina, América do Norte, Europa e Ásia

Na última terça-feira, 21 de janeiro, após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentar denúncia à Justiça contra 16 pessoas físicas e contra a mineradora Vale e a empresa Tüv Süd pelo rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019, uma entrevista coletiva realizada na Procuradoria-Geral de Justiça, em Belo Horizonte, reuniu 39 profissionais de imprensa de 29 veículos de comunicação nacionais e internacionais, sendo oito TVs, oito rádios e 13 portais de notícia e jornais impressos.



Na ocasião, promotores de Justiça e delegados de Polícia que estiveram à frente das investigações ao longo de todos esses meses esclareceram pontos da denúncia aos participantes e contaram detalhes sobre as complexas apurações, que envolveram a oitiva de 183 pessoas, entre investigados, testemunhas e vítimas sobreviventes, o cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão e a análise de 94 dispositivos eletrônicos, compostos por quase 6 milhões de arquivos digitais, que representam um volume de 4.711 GB (quase 5 terabytes).

A presença massiva de repórteres, fotógrafos, produtores e cinegrafistas na coletiva reflete o interesse das comunidades nacional e internacional nos desdobramentos deste que é considerado um dos mais graves desastres ambientais e humanitários da história. Desde a ocorrência do crime, há um ano, o trabalho da imprensa junto à assessoria de comunicação do MPMG e às de outros órgãos   públicos e ambientais atuantes no caso tem sido fundamental para manter a sociedade bem informada sobre o andamento das medidas tomadas pela força-tarefa de Brumadinho, bem como para esclarecer e alertar a população sobre a situação das outras barragens do estado, muitas delas em condições precárias de segurança.



Somente neste mês, a coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente (Caoma) do MPMG e da força-tarefa do caso, promotora de Justiça Andressa Lanchotti, concedeu 19 entrevistas presenciais para veículos de imprensa com matriz em três continentes: América, Europa e Ásia. As atualizações sobre o caso também têm sido enviadas regularmente para os jornalistas, por meio de uma Lista de Transmissão criada no Whatsapp. Ao todo, 220 jornalistas de veículos estaduais, nacionais e internacionais estão cadastrados para recebimento dos conteúdos produzidos pela Diretoria de Imprensa do MPMG de maneira mais ágil e prática, como releases, documentos, áudios e vídeos.



A produtora da TV Al Jazeera Tatiana Polastri e sua equipe de reportagem entrevistaram Andressa no dia 23 de janeiro, na PGJ, após retornarem de atividades em Brumadinho. Polastri relatou que, na cobertura do caso, a questão psicológica tem sido a mais difícil para os profissionais da imprensa, a exigir deles um constante autocontrole emocional para que o trabalho seja feito da melhor forma. “Por mais que a gente tente controlar o envolvimento, coberturas assim sempre nos afetam. As pessoas depositam na imprensa uma esperança muito grande para verem garantidos seus direitos. E a gente acaba absorvendo isso. Em Brumadinho, percebemos que as pessoas ainda querem muito falar e ser ouvidas”. A produtora ainda fez comentários positivos sobre a entrevista realizada com Andressa Lanchotti.  “Foi ótima. Seria bom se tivéssemos tempo na reportagem para aproveitar mais o conteúdo. Mas foi muito boa para contextualizar melhor para a elaboração do roteiro”. Polastri elogiou a quantidade de informações e a clareza da fala da promotora, “sem uso de termos difíceis”. “Às vezes, são usados muitos termos que nós não conhecemos e que é difícil de explicar até para um público internacional”, explicou.

A produtora da BBC News Luciani Gomes e sua equipe estiveram na PGJ para entrevista a promotora no dia anterior. Luciani também apontou como ponto mais delicado da cobertura a conversa com os familiares das vítimas, principalmente nos dias seguintes à tragédia. “O mais difícil era o que falar com os familiares. A gente ficou uns 10 dias cobrindo direto e era uma cobertura muito emocional, mas a gente não podia deixar o emocional invadir, senão não conseguiria fazer o trabalho. Foi muito desgastante, física e emocionalmente. A quantidade de horas que a gente trabalhou, a quantidade de familiares com quem conversamos, os relatos de pessoas que ouvimos que se salvaram por poucos minutos, por uma sorte do destino”, recorda. Sobre a entrevista com a coordenadora da força-tarefa, a avaliação também foi positiva. “Foi tudo ótimo com o MPMG. Conseguimos a entrevista hoje e foi excelente”.



Andressa Lanchotti destacou que, desde o dia do rompimento da barragem, procurou atender a imprensa da melhor maneira possível, muitas vezes concedendo entrevistas com duração de cerca de uma hora. “Sempre nos preocupamos em passar uma abordagem global da atuação do MPMG nos três eixos principais: criminal, socioambiental e socioeconômico. Acho muito importante ter esse diálogo aberto com a imprensa, para fazer as informações chegarem à sociedade”.



Além de Andressa Lanchotti, outros promotores de Justiça que compõem a força-tarefa e que atuam na área de Meio Ambiente, nas diversas cidades afetadas pelo crime, também têm atendido a imprensa regulamente ao longo do último ano, a fim de colaborar ao máximo com a transmissão de informações importantes para a sociedade, como em reuniões públicas, nas audiências de conciliação na Justiça Estadual, resguardando sigilo naquilo que é avaliado como essencial para as apurações.

O diretor de Imprensa do MPMG, André Lana, destaca a importância dos contatos diários de jornalistas, que buscam levar a informação de forma ágil aos cidadãos, os quais, cada vez mais, acompanham e cobram uma atuação eficiente do Poder Público. “O trabalho da imprensa tem sido fundamental para potencializar a comunicação da instituição com o público. É uma relação colaborativa e extremamente necessária, e o foco primordial e comum é o interesse público. Lidar com todo esse volume e velocidade de informações, como requer o caso do rompimento da barragem, tem sido um desafio para todos os envolvidos”, avalia.

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27/01/2020