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Institucional25/07/2020
300 anos de Minas: no Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, MPMG apresenta o trabalho a escritora mineira Conceição Evaristo

 

Hoje, 25 de julho, data em que se comemoraram o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresenta um pouco da obra e da biografia de Conceição Evaristo, escritora negra nascida em Belo Horizonte. A iniciativa, que faz parte das comemorações dos 300 anos de Minas, também pretende homenagear o trabalho das mulheres negras brasileiras, em alusão às duas datas celebradas neste sábado.

Esse projeto de resgatar, nas redes sociais,a História do Estado a partir da literatura é uma das atividades do MPMG para festejar os 300 anos de Minas. Como parte das atividades, os seguidores do MPMG nas redes sociais também poderão participar de sorteios de livros dos autores que estão sendo apresentados. Nas semanas anteriores, o MPMG trouxe a biografia de Chico Lins, João Guimarães Rosa e Madu Costa.

Confira abaixo a biografia de Conceição Evaristo.

Saiba mais sobre a iniciativa do MPMG.


CONCEIÇÃO EVARISTO


Maria da Conceição Evaristo de Brito, a Conceição Evaristo, nasceu em 1946, em uma comunidade localizada na zona Sul de Belo Horizonte. Graduou-se em Letras pela UFRJ, é Mestra em Literatura Brasileira pela PUC do Rio de Janeiro e Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense.

Sobrinha e filha de lavadeiras, Conceição Evaristo, ainda menina, seguiu os passos da mãe na realização de trabalhos domésticos. Alternava os serviços prestados às patroas com aqueles realizados dentro da própria comunidade, em que assistia crianças vizinhas nos deveres escolares e as conduzia às escolas. E foi em sua própria experiência escolar que a autora afirma ter descoberto com mais intensidade a sua condição de negra e pobre, que inspiraria muitos de seus versos, contos e romances futuros.


Apesar de as palavras terem preenchido seus dias desde a mais tenra infância, a autora gosta de frisar que não cresceu cercada por livros. Foram as narrativas orais, cultivadas pela mãe, pelos tios, vizinhos e amigos, que inicialmente despertaram nela o interesse pela prosa e pela poesia. Alguns anos mais tarde, como ela mesma diz, ganhou "uma biblioteca inteira, a pública", quando uma das suas tias se tornou servente daquela casa-tesouro, na Praça da Liberdade. Fez dali a sua morada, o lugar onde buscava respostas para tudo. Escrevia, também, bilhetes, anotações familiares, orações.

Seu primeiro prêmio literário veio em 1958, ao terminar o primário, quando venceu um concurso de redação. Quanto à beleza da redação, reinou o consenso dos professores; quanto ao prêmio, houve discordâncias, pois a passagem da jovem escritora pela escola não tinha sido de uma aluna bem comportada. Foi necessária a interferência de dona Luzia Machado Brandão, professora que trabalhava na Biblioteca, para que a menina negra recebesse o prêmio.

Atuante nos movimentos de valorização da cultura negra no Brasil, estreou na literatura na década de 1970, com a publicação de contos e poemas na série Cadernos negros, do Grupo Quilombhoje, de São Paulo. Em 2003, Conceição Evaristo publicou seu primeiro e mais conhecido romance, Ponciá Vicêncio, que trata da pobreza, de injustiças sociais e da busca pelo autoconhecimento: "Ponciá Vicêncio, além de ter o drama dela, que é o drama coletivo dessa procura pela ancestralidade negra, é uma personagem muito só. E a solidão é característica do ser humano. E colocar essa problemática da solidão numa personagem negra é alçá-la ao lugar da humanidade que sempre tivemos e que nos é retirada. Cuido do personagem, como cuido da linguagem", afirma a autora. Seu segundo romance, Becos da memória, foi lançado em 2006 e tem como cenário a comunidade em que ela foi criada. Nos anos seguintes, lançou: Poemas da recordação e outros movimentos (2008), Insubmissas lágrimas de mulheres (2011), Olhos d'água (2014), Histórias de leves enganos e parecenças (2016) e Canção para ninar menino grande (2018). Também em 2018, a escritora recebeu o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra.

As poesias e os contos de Conceição Evaristo ampliam a temática sobre a mulher negra por meio de diferentes situações, que mesclam ficção, memória individual e histórias que a autora ouviu de seus familiares quando menina. Sua poesia abarca temas que focalizam a maternidade, a pobreza, a mineiridade, o telúrico, o amor, homenagens a amigos e outros. Os contos, em geral, trazem uma temática ligada à vida na favela, com seus dramas e tragédias.
 
Escrever e publicar, para Evaristo, é um ato político; é uma maneira de se rebelar contra o papel de subalternidade que a mulher negra ocupa no imaginário da sociedade brasileira.

"E acredito, acredito sim
que os nossos sonhos protegidos
pelos lençóis da noite
ao se abrirem um a um
no varal de um novo tempo
escorrem as nossas lágrimas
fertilizando toda a terra
onde negras sementes resistem
reamanhecendo esperanças em nós."
(Todas as manhãs, Conceição Evaristo)


Fontes:
Dicionário bibliográfico de escritores mineiros. Autora: Constância Lima Duarte
http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/188-conceicao-evaristo
http://www.letras.ufmg.br/literafro/29-critica-de-autores-feminios/194-conceicao-evaristo-escritora-negra-comprometida-etnograficamente-critica
https://revistaperiferias.org/materia/conceicao-evaristo-imortalidade-alem-de-um-titulo/
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2018/07/15/interna_diversao_arte,694873/entrevista-conceicao-evaristo.shtml
 

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25/07/2020